Saúde

Cansaço mental: o que a ciência revela sobre a sensação de exaustão do cérebro

Em apuração ?

Estudo explica por que nossa cabeça fica carregada após dias agitados e como aliviar o estresse mental

Ilustração de cérebro humano com áreas destacadas pelo acúmulo de neurotransmissores.
Imagem: Folha de S.Paulo

Pesquisas mostram que a fadiga cerebral não está relacionada ao consumo de energia do cérebro, mas a mudanças químicas específicas, como o acúmulo de neurotransmissores. Práticas simples, como mindfulness, podem ajudar no alívio do cansaço mental.

Quem já acordou com a sensação de cabeça a mil, revirando a lista de tarefas ou pensando incessantemente em problemas, certamente se questiona sobre o que realmente causa essa fadiga mental. Segundo uma fonte do Hospital Universitário Pitié-Salpêtrière, de Paris, estudos recentes têm mostrado que essa sensação de exaustão não está diretamente ligada ao consumo de energia do cérebro, como se pensava há algum tempo. Em vez disso, ela decorre de alterações químicas específicas no cérebro, principalmente o acúmulo de um neurotransmissor chamado glutamato, que participa de processos como aprendizado, memória e ciclo sono-vigília.

Essa descoberta foi publicada na revista científica Current Biology e revela que o trabalho cognitivo intenso — seja na rotina profissional, na organização da vida ou na criatividade — provoca mudanças químicas que traduzem-se na fadiga que sentimos. O que se observa é que o excesso de glutamato em uma região cerebral específica coloca o cérebro em um estado de sobrecarga, gerando uma sensação de cansaço, mesmo sem gastar muitas calorias físicas. É uma espécie de exaustão química que, segundo o estudo, pode afetar qualquer pessoa, embora seja mais intensa em quem sofre de ansiedade ou outros transtornos mentais.

Além de tarefas intelectuais, planejar o dia, administrar tarefas domésticas ou até pensar em detalhes do cuidado com as crianças também contribuem para essa sobrecarga mental. De acordo com a mesma fonte, essa responsabilidade recai com mais intensidade sobre as mulheres, que historicamente carregam uma parcela maior do trabalho não remunerado do cuidado. Hoje, na era digital, essa sensação se intensifica: ao invés de ajudar a esvaziar a cabeça, o excesso de estímulos das notícias e as redes sociais fazem a mente ficar ainda mais ligada, dificultando o descanso.

Diante desse cenário, especialistas sugerem que práticas como o mindfulness, ou atenção plena, podem ajudar a aliviar esses efeitos. A técnica consiste em focar a atenção na respiração por um minuto e aumentar esse tempo gradualmente. Existem aplicativos que facilitam esse treino de atenção, além de outras ações simples, como escrever um pouco por dia, o que pode diminuir a ansiedade e ajudar a melhorar o sono. Ainda assim, para aqueles que sentem que o turbilhão de pensamentos interfere na vida diária de forma mais séria, a recomendação é procurar ajuda profissional. O entendimento dessa relação química e neurometabólica do cansaço mental reforça a importância de cuidar da saúde mental de forma preventiva e contínua.

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O que sabemos?

  • O acúmulo de glutamato no cérebro causa fadiga mental.
  • Diferença entre cansaço físico e mental: este último não consome muitas calorias.
  • Práticas como mindfulness podem ajudar a aliviar o estresse mental.
  • A sobrecarga de pensamentos é maior em pessoas com ansiedade ou transtornos mentais.
  • O excesso de estímulos digitais intensifica o turbilhão de pensamentos.

Fontes

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