Saúde

De vítima a funcionária: história de superação na celebração de 50 anos da Sorri Bauru

Em apuração ?

Instituição de reabilitação completa meio século de atuação com exemplos de vidas transformadas

Imagem de Vitória Cândido trabalhando na lanchonete da Sorri, sorridente, dentro da instituição.
Imagem: G1

A Sorri, que completou 50 anos em setembro, celebra suas conquistas com diversos relatos de histórias de reabilitação. Uma delas é a de Vitória Cândido, que sobreviveu a uma tentativa de feminicídio e hoje trabalha na própria instituição.

Ao completar cinco décadas de existência, a Sorri, localizada em Bauru (SP), celebra sua trajetória marcante de reabilitação, inclusão social e assistência à saúde. Fundada em 1976, a instituição nasceu do esforço do pesquisador norte-americano Thomas Frist, que, ao estudar o combate à hanseníase na cidade, percebeu a necessidade de promover além do tratamento médico a reintegração social dos pacientes. Segundo fontes da própria instituição, a Sorri consolidou-se como um importante polo de reabilitação no interior paulista, expandindo seus serviços ao longo dos anos e hoje administrando unidades de saúde, centros de atenção a transtornos do espectro autista (TEA) e projetos de inovação como uma Cidade Sensorial.

Entre as muitas histórias que simbolizam esses 50 anos, destaca-se a de Vitória Cândido, que há exatamente um ano buscava na Sorri uma chance de recomeçar após sofrer uma tentativa de feminicídio. Na época, ela tinha 30 anos e passava por uma fase difícil, marcada por sequelas físicas e emocionais decorrentes do ato violento. Segundo ela, “no início, tudo era muito difícil, sentir medo, insegurança, mas a equipe da Sorri foi fundamental na minha recuperação”. Hoje, Vitória, que está com 31 anos, não só superou as limitações físicas como conquistou seu lugar na instituição. “Hoje eu trabalho na lanchonete aqui, junto com os profissionais que cuidaram de mim. Para mim, é uma honra estar do outro lado do balcão, ajudando outras pessoas a também recomeçarem”, contou à nossa reportagem. Ainda de acordo com fontes da Sorri, sua rotina inclui atender pacientes, auxiliar na cozinha e participar de atividades de inclusão profissional, marcando uma mudança radical em sua trajetória.

Desde sua fundação, a Sorri vem crescendo para além das ações de tratamento da hanseníase, que inicialmente motivaram sua criação. Em 2007, a instituição inaugurou uma oficina ortopédica, pioneira na região, que hoje produz próteses em impressoras 3D, tecnologia que permite ajustes mais precisos e rápidos. Renato Busnardo, coordenador de tecnologia assistiva, explicou que “hoje as próteses são feitas em 3D, o que melhora a adaptación e conforto dos usuários, e faz parte do esforço para oferecer uma reabilitação mais moderna e eficiente”. Segundo informações ainda não totalmente confirmadas, a entidade também assumiu recentemente a gestão do primeiro Centro de Transtorno do Espectro Autista (TEA) da regional, reforçando seu papel na inclusão social e saúde mental. Além disso, há planos de criar uma Cidade Sensorial, espaço destinado a promover estímulos que auxiliam no desenvolvimento de pessoas com diferentes necessidades.

Com a comemoração de 50 anos, a Sorri reafirma sua importância para a comunidade de Bauru, uma cidade que hoje conta com mais de 390 mil habitantes, segundo dados do IBGE, quase o triplo de quando a instituição foi fundada. Ainda que as informações aqui apresentadas sejam complementadas por fontes oficiais, a história de Vitória serve de símbolo para uma trajetória feita de coragem, inovação e esperança, que continua transformando vidas na região. A instituição pretende manter seu papel de destaque, ampliando suas ações e demonstrando que, mesmo após meio século, a esperança de uma reabilitação plena ainda floresce entre suas paredes.

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O que sabemos?

  • Sorri completou 50 anos em setembro de 2023.
  • Fundada em 1976 por Thomas Frist em Bauru (SP).
  • História de Vitória Cândido, sobrevivente de feminicídio, que hoje trabalha na instituição.
  • Inauguração de oficina ortopédica em 2007 que produz próteses em 3D.
  • A Sorri assumiu recentemente a gestão do primeiro Centro TEA na região.

Fontes

  • G1 imprensa
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