Redes de TV estadounidenses interrompem cobertura após banimento de jornalistas na Casa Branca
Fox News e outras emissoras reagem às restrições do presidente Trump a jornalistas
Cinco grandes redes de televisão nos EUA decidiram suspender a cobertura conjunta de eventos na Casa Branca como resposta às ações do governo de Donald Trump de impedir o acesso de jornalistas a suas instalações.
Na última segunda-feira, 21 de agosto, cinco das principais redes de televisão dos Estados Unidos anunciaram a suspensão de sua cobertura conjunta de atos e pronunciamentos do governo na Casa Branca. Entre elas, destacada por sua ligação histórica com o presidente Donald Trump, está a Fox News, que decidiu aderir ao boicote após uma série de restrições impostas pelo mandatário americano.
Segundo informações divulgadas pela CNN Internacional e pelo jornal "The New York Times", o chefe da Fox News em Washington, Bryan Boughton, declarou que a decisão de interromper a cobertura foi uma resposta direta às ações do governo de Trump, que, na semana passada, proibiu o ingresso de jornalistas de determinados veículos na Casa Branca. A medida foi considerada por alguns como uma tentativa de restringir a narrativa da imprensa, especialmente de veículos considerados críticos ao governo.
De acordo com os relatos, o presidente Trump anunciou, na sexta-feira anterior, a proibição de entrada de jornalistas de três veículos de comunicação na residência oficial. No sábado, jornalistas da CNN e do grupo MS NOW tiveram seus crachás de acesso apreendidos, o que motivou uma ameaça conjunta das cinco redes de suspenderem a cobertura em “pool” — sistema pelo qual as emissoras compartilham imagens de eventos governamentais para distribuir entre suas audiências.
O comunicado conjunto, assinado por essas redes, afirmou que “o público tem um interesse vital em receber informações precisas e independentes sobre o seu governo” e que “nenhuma administração deve restringir uma organização de notícias por discordar de suas reportagens”. Ainda neste contexto, o “pool” — tradicionalmente responsável por captar imagens de atos oficiais na Casa Branca para várias redes — ficou desfalcado, pois, por causa da proibição, veículos como a CNN e a NBC, parte do grupo MS NOW, não participaram das coberturas nos dias seguintes.
As redes ressaltaram que o desfalque nessas coberturas pode afetar eventos futuros, incluindo a agenda paralela à Assembleia Geral da ONU, na qual Trump participará com reuniões bilaterais com chefes de Estado e de governo. Como consequência, a cobertura de Trump na Casa Branca ficará limitada durante esse período, e a Fox News anunciou que, oficialmente, o “pool” não fará mais a cobertura dos eventos designados como de “cobertura em pool” do presidente.
Além disso, nesta segunda-feira, as emissoras CNN, MS NOW e o site Político ingressaram na Justiça norte-americana, pedindo a revogação da proibição imposta por Trump e a devolução dos crachás aos jornalistas afetados. Ainda não há confirmação oficial sobre o andamento dessa ação, e o governo Trump ainda não se pronunciou oficialmente sobre o tema.
Historicamente, a Fox News é vista como uma rede de perfil conservador, com maior audiência entre os republicanos, geralmente simpatizante de Trump. A relação do presidente com a emissora já foi marcada por altos e baixos, já que ele frequentemente concedeu entrevistas ao canal e utilizou-o como plataforma para suas campanhas e posicionamentos. Apesar disso, há registros de conflitos ocasionais entre as partes, o que demonstra que a relação não é isenta de tensões.
O que sabemos?
- Cinco redes de TV americanas suspenderam a cobertura conjunta na Casa Branca.
- Trump proibiu o acesso de jornalistas de três veículos na semana passada.
- Jornalistas da CNN e do grupo MS NOW tiveram crachás apreendidos no sábado.
- O boicote é uma resposta às restrições impostas pelo governo Trump.
- As redes pretendem que o governo revogue a proibição na Justiça.
Fontes
- G1 imprensa




