Política

Campanha do PT tenta reconquistar evangélicos nas eleições de 2026

Em apuração ?

Esforço do partido visa fortalecer apoio entre fiéis religiosos diante de dificuldades atuais

Imagem ilustrativa de uma campanha política com referências religiosas
Imagem: Folha de S.Paulo

A campanha do PT lançou conteúdo voltado a evangélicos na tentativa de melhorar o relacionamento com esse eleitorado, que vem se afastando da legenda há anos.

Nas vésperas das eleições de 2026, o Partido dos Trabalhadores (PT) está investindo em uma estratégia peculiar para tentar conquistar um eleitorado que vem se mostrando cada vez mais distante da legenda: os evangélicos. Segundo informações divulgadas pelo jornal Folha de S.Paulo, o partido lançou uma campanha com conteúdo direcionado especificamente para esse grupo religioso, abordando temas e referências bíblicas, numa tentativa de reforçar a conexão com fiéis, especialmente aqueles que ainda apoiam a reeleição do presidente Lula.

De acordo com a reportagem, um dos materiais preparados pelo núcleo que coordena as ações voltadas ao público evangélico utiliza passagens bíblicas como Provérbios 29:2, que diz que "quando os justos governam, o povo se alegra," e João 13:34, que incentiva o amor ao próximo. Essas mensagens visam enfatizar que o voto é uma decisão consciente, livre e secreta, ressaltando que cabe somente ao eleitor decidir seu apoio, com uma orientação de oração e reflexão. Ainda segundo a fonte, o conteúdo busca também evitar que líderes religiosos ou conhecidos possam constranger fiéis que decidam votar em Lula para a reeleição.

O esforço do PT ocorre em um contexto de crescente rejeição entre os fiéis evangélicos ao partido. Segundo fontes ainda não confirmadas oficialmente, dados de pesquisas indicam que, nas últimas eleições, em 2018, cerca de sete em cada dez votos evangélicos no segundo turno foram para outros candidatos, com uma forte preferência por Jair Bolsonaro, do PSL na época, e atualmente pelo seu filho, Flávio Bolsonaro, do PL. Essa mudança de perfil eleitoral estreitou o vínculo que o PT tinha com parte do eleitorado evangélico, especialmente entre mulheres, negras e de baixa renda, grupos que, historicamente, apresentaram maior probabilidade de votar consciente nas propostas do ex-presidente.

O coordenador do Núcleo de Evangélicos do PT, reverendo Sabanay, destacou que o cenário atual é desafiador. Segundo ele, em 2022, o apoio ao PT entre evangélicos chegou a apresentar sinais de recuperação em meio a uma fase final de campanha, mas ainda assim permaneceu longe do que foi registrado em anos anteriores. Dados históricos mostram que, em 2002 e 2006, Lula obteve aproximadamente 63% e 65%, respectivamente, desse segmento, um respaldo bem maior do que o que se observa atualmente. Ainda não há confirmação se as ações do PT resultarão em uma mudança significativa na preferência por Lula nesse eleitorado, mas o partido tenta, ao menos, apresentar uma narrativa de diálogo e respeito às escolhas individuais. A estratégia parece também um reconhecimento de que a relação com lideranças evangélicas de peso, como anteriormente, foi prejudicada e que a campanha quer evitar maiores obstáculos durante o processo eleitoral, incluindo constrangimentos de líderes religiosos que apoiem outros candidatos.

Embora ainda não confirmado oficialmente por todas as partes, o que parece claro é que o PT tenta, com esse conteúdo, demonstrar uma postura de respeito às convicções religiosas, além de estabelecer uma relação mais transparente com o eleitor evangélico, numa tentativa de se reconectar com um grupo que teve grande importância histórica em eleições passadas. A questão, portanto, ainda está em aberto: se essa estratégia será suficiente para reverter o afastamento ou se o cenário político em torno do apoio religioso continuará a ser um dos grandes desafios do partido na corrida presidencial.

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O que sabemos?

  • PT lançou conteúdo para evangélicos na campanha de 2026.
  • O material inclui referências bíblicas e mensagens sobre voto consciente.
  • Evangelicos vêm se afastando do PT, com apoio maior a Bolsonaro e seu grupo.
  • Dados históricos mostram maior apoio de evangélicos a Lula nas eleições passadas.
  • Coordenação do núcleo de evangélicos do PT reconhece o desafio atual.

Fontes

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