Política

Pesquisa revela impacto das IAs na cobertura de candidaturas nas eleições de 2024

Em apuração ?

Estudo mostra que apenas 10% dos candidatos a governador são citados por todas as principais ferramentas de inteligência artificial

Ilustração representando inteligência artificial e eleição.
Imagem: CNN Brasil

Um levantamento do ITS Rio aponta que a maioria dos candidatos não é uniformemente reconhecida pelas IAs usadas para consultar informações eleitorais, levantando questionamentos sobre vieses tecnológicos.

Segundo uma pesquisa divulgada pelo Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio (ITS Rio), somente 10% das candidaturas a governador registradas oficialmente no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aparecem em todas as fontes de inteligência artificial analisadas. O estudo, exclusivo divulgado pela CNN, revelou que das 197 candidaturas disponíveis, apenas 20 foram mencionadas por todas as sete plataformas de IA testadas, incluindo ChatGPT, Gemini, Meta AI, Grok, DeepSeek, Perplexity e Claude.

A coordenadora do estudo, Karina Santos, explicou que ainda não há clareza sobre os critérios utilizados por essas IAs na escolha de mencionar ou não certos candidatos, destacando que a relação pode variar de uma ferramenta para outra, dependendo da configuração de cada uma. Segundo ela, “não conseguimos identificar, só olhando para as respostas, quais foram os critérios que levaram um candidato a aparecer ou não, o que reforça o desafio de entender o acesso à informação eleitoral através dessas plataformas”.

Entre os candidatos a governador, os nomes de Pedro Brito, do Novo, que disputa no Ceará, e Expedito Mendonça, do PCO, do Distrito Federal, não aparecem em nenhuma das sete ferramentas analisadas até o momento. No âmbito presidencial, dos 13 candidatos, apenas quatro receberam menções de todas as plataformas, o que representa 31% do total. Segundo Karina, essa situação pode afetar o que ela chamou de ‘visibilidade’ dos candidatos, já que a presença na lista de uma IA pode influenciar o que o eleitor percebe como mais relevante ou conhecido.

Outro aspecto levantado pela pesquisa envolve o uso de ranqueamentos — ou seja, a ordenação dos nomes sugeridos pelas IA. Uma grande parte das respostas, 86%, apresentou algum tipo de preferência, como destaque visual, omissão de candidatos sem justificativa ou sugestão explícita de voto. Além disso, em 20% das respostas analisadas, as ferramentas recomendaram candidatos de acordo com o perfil do eleitor, prática que, segundo a legislação eleitoral brasileira, é proibida pelo TSE. Entre as plataformas, a Perplexity foi a mais ativa nesse tipo de recomendação, finalizando 31 de 35 respostas com uma sugestão direta de voto, frequentemente em primeira pessoa ou com títulos que reforçam essa recomendação.

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Segundo a pesquisa, ferramentas como ChatGPT, Claude e Gemini evitaram fazer recomendações explícitas, limitando-se a fornecer critérios gerais e evitar a associação direta a nomes específicos. Ainda não há confirmação oficial sobre a intenção ou os efeitos dessas atitudes, que levanta dúvidas sobre a influência das IAs no processo eleitoral e na formação da opinião pública. A expectativa é que o TSE crie um conselho para monitorar o uso de inteligência artificial nas eleições e que partidos tenham assinado um acordo para uso responsável dessas tecnologias, além de medidas de barrar o uso indevido, como a suspensão de funcionalidades três dias antes do pleito.

O estudo aponta que o impacto da seleção e do ranqueamento de candidatos nas plataformas de IA pode, mesmo que indiretamente, ajudar a moldar a percepção pública e influenciar o comportamento do eleitor, sobretudo em um momento em que o acesso à informação digital se torna mais central. Ainda não há uma posição oficial do TSE sobre as especificidades da regulação dessas ferramentas em relação às eleições, e os efeitos exatos dessas discrepâncias na cobertura eleitoral ainda são objeto de análise e debate. Ressalta-se que, apesar da preocupação, a pesquisa indica que a maioria das ferramentas se recusa a fazer recomendações, atuando de forma mais neutra até o momento, mas com possíveis riscos de vieses e manipulação.

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O que sabemos?

  • Apenas 10% das candidaturas a governador são mencionadas por todas as plataformas de IA analisadas.
  • Pedro Brito (Novo) e Expedito Mendonça (PCO) não aparecem em nenhuma das IAs.
  • Das 13 candidaturas presidenciais, apenas 4 são citadas por todas as sete IAs.
  • 86% das respostas analisadas apresentam algum tipo de ranqueamento ou preferência nos nomes sugeridos.
  • Em 20% das respostas, as IAs recomenderam candidatos de acordo com o perfil do eleitor, prática proibida pelo TSE.

Fontes

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