Política

Morre Amelinha Teles, símbolo de resistência contra a ditadura militar, aos 81 anos

Confirmada por múltiplas fontes ?

Ativista, escritora e jornalista lutou contra repressão e marcou história na defesa dos direitos humanos no Brasil

Foto de Amelinha Teles, ativista brasileira, durante uma manifestação
Imagem: Agência Brasil

Amelinha Teles, conhecida por sua atuação na resistência à ditadura e na luta pelos direitos das mulheres, faleceu nesta terça-feira aos 81 anos. Sua trajetória inclui prisão, torturas e uma forte dedicação à memória histórica do regime militar brasileiro.

Nesta terça-feira (15), foi confirmada a morte de Amelinha Teles, uma das figuras mais marcantes da resistência contra a ditadura militar no Brasil, aos 81 anos de idade. Segundo amigos próximos, a ativista, escritora e jornalista morreu sem que seus familiares divulgassem oficialmente as causas, mas sua trajetória deixou um legado indelével na luta pelos direitos humanos e feministas no país.

Maria Amélia de Almeida Teles, nascida em Contagem (MG), foi uma militante ativa do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) e se tornou símbolo da resistência durante o período de ditadura militar, que vigorou de 1964 a 1985. Segundo fontes, ela foi presa em 1972, durante a Operação Bandeirantes (Oban), órgão de repressão do regime. Nesse processo, ela relata ter sido vítima de sessões de tortura física e psicológica, sob comando do major do Exército Carlos Alberto Brilhante Ustra, conhecido por sua brutalidade na época.

Amelinha testemunhou também o assassinato de seu companheiro de militância, Carlos Nicolau Danielli, e junto com seu marido, César Augusto Teles, que também foi levado ao órgão repressivo, presenciou o sofrimento de outros ativistas. Seus dois filhos, então com 4 e 5 anos, foram sequestrados pelos agentes do regime e obrigados a assistir às torturas praticadas contra os pais, uma experiência que marcou profundamente sua vida e sua militância. A luta e resistência de Amelinha não se limitaram à época da prisão; ela continuou participando de atividades de memória e combate à repressão após a redemocratização, além de engajamentos feministas.

A atuação de Amelinha também envolveu a participação na Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos e na elaboração de obras que registraram suas experiências e reflexões sobre a ditadura. Entre suas contribuições, destacou-se seu papel na efetivação da Lei Maria da Penha, atuando como advogada e formadora de Promotoras Legais Populares, além de colaborar com o Jornal Brasil Mulher na década de 1970. Ela também foi entrevistada no podcast ‘Perdas e Danos’, edição especial que investigou quem se beneficiou do regime de exceção iniciado em 1964.

O falecimento de Amelinha Teles marca uma perda para a história do ativismo brasileiro e reforça a importância de preservar a memória das vítimas da repressão. Ainda não há informações confirmadas sobre as causas da morte, e o clube não se pronunciou oficialmente. Sua trajetória, marcada por enfrentamentos e resistência, representa um legado de coragem e luta pelos direitos humanos que, segundo fontes, continuará a inspirar gerações futuras.

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O que sabemos?

  • Amelinha Teles morreu aos 81 anos.
  • Foi presa e torturada em 1972 no DOI-Codi de São Paulo.
  • Lutou contra a repressão do regime militar e testemunhou o assassinato de seu companheiro.
  • Seus filhos também foram sequestrados e testemunharam as torturas.
  • Participou de ações feministas e ajudou na efetivação da Lei Maria da Penha.

Fontes

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