Política

Especialista discute a personalidade autoritária e seu impacto na política contemporânea

Em apuração ?

Um ex-ministro e professor analisa as raízes psicológicas e filosóficas do autoritarismo

Ilustração representando liderança e poder na política.
Imagem: Folha de S.Paulo

Segundo um professor emérito da Fundação Getulio Vargas, a personalidade autoritária é um dos impulsos mais profundos do ser humano, relacionado ao desejo de poder. Ele também compara diferentes formas de exercício do poder, incluindo o populismo de extrema direita.

Um reconhecido professor emérito da Fundação Getulio Vargas, ex-ministro e estudioso da política, vem levantando debates sobre a personalidade autoritária e sua presença no cenário político atual. Segundo ele, essa característica é uma das forças mais profundas no psicológico humano, relacionada ao impulso pelo poder de impor sua vontade aos demais, algo que varia de acordo com diferentes formas de exercício do poder.

Na análise, ele explica que Max Weber, renomado sociólogo, descreveu três formas principais de dominação: carismática, baseada no charme do líder; racional-legal, fundamentada na lei; e democrática, apoiada pelo suporte da sociedade. Entretanto, o especialista aponta que há também uma quarta forma, derivada da personalidade autoritária do líder e de seus seguidores, que acaba se refletindo em um tipo de dominação autoritária.

De acordo com a sua avaliação, o populismo de extrema direita contemporâneo se manifesta em formas de dominação que, embora possam vencer eleições, não priorizam necessariamente a vontade popular, mas sim o entendimento do líder e o consenso de seguidores com traços autoritários. Ainda assim, o especialista não acredita que este fenômeno, atualmente, esteja evoluindo para um fascismo como o vivido na Itália e na Alemanha dos anos 1920 a 1940, ressaltando as diferenças históricas e sociais entre aquele período e o presente.

Ele destaca que o contexto político dos países do hemisfério norte, onde o regime democrático consolidou-se, é muito diferente do passado, e que a presença de lideranças autoritárias na sociedade hoje é reflexo de fracassos do modelo neoliberal, que não conseguiu melhorar os padrões de vida de amplas camadas da população. Ainda assim, ele adverte que este crescimento de líderes autoritários deve ser acompanhado atentamente, pois a linha que separa a democracia de regimes mais autoritários pode ser tênue e sujeita a variações conforme o cenário político e econômico.

Assim, a análise do especialista aponta que o entendimento das raízes psicológicas e filosóficas do autoritarismo é fundamental para compreender os movimentos atuais no Brasil e no mundo. Ainda aguarda confirmações por outras fontes suas observações, mas sua visão reforça a importância de se discutir como impulsos profundos do ser humano influenciam as formas de exercício do poder na política contemporânea.

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O que sabemos?

  • O especialista é professor emérito da Fundação Getulio Vargas e ex-ministro.
  • Ele analisa a personalidade autoritária como um impulso psicológico profundo.
  • Compara as formas de dominação: democrática, carismática, racional-legal e autoritária.
  • Acredita que o populismo de extrema direita não se transformará em fascismo atualmente.
  • A análise está baseada em observações ainda não totalmente confirmadas por outras fontes.

Fontes

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