Política

Primeiro turno das eleições revela polarização e ascensão da direita no Brasil

Em apuração ?

Disputa acirrada e sinais de mudança nas preferências políticas indicam forte movimento conservador e insatisfação com o governo

Gráfico mostrando os resultados do primeiro turno das eleições no Brasil
Imagem: Folha de S.Paulo

Mesmo com uma avaliação negativa do governo Lula e cansaço popular, a eleição mostra resistência do bolsonarismo e crescimento da extrema direita. Flávio Bolsonaro lidera no primeiro turno, enquanto o cenário para o segundo ainda traz incógnitas.

Os resultados do primeiro turno das eleições presidenciais no Brasil continuam a causar curiosidade e a gerar análises sobre o que eles representam para o cenário político do país. Segundo o cientista político Eduardo Grin, da Fundação Getulio Vargas (FGV-SP), o que se observa é uma clara ascensão da extrema direita e uma penalização dos políticos que estão no poder, especialmente do governo Lula, cujo mandato sofre uma avaliação bastante negativa da população. No levantamento recente, Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, obteve 47% dos votos na disputa presidencial, enquanto o atual presidente Lula (PT) ficou com 45%. Ainda de acordo com Grin, esses números indicam um cenário de polarização já consolidado, especialmente após o resultado do primeiro turno, em que 20 estados do país apresentaram uma vantagem clara para candidatos conservadores.

O cientista explica que fatores como o desgaste do PT e a insatisfação com a gestão Lula contribuíram para esse resultado. Ainda assim, ele ressalta que, por enquanto, não há uma previsão de reversão no segundo turno. Segundo Grin, é difícil imaginar que Lula consiga transformar essa vantagem de Flávio Bolsonaro, que lidera na maioria dos estados, especialmente porque alguns segmentos da população ainda demonstram compreensão pelas pautas do bolsonarismo. Além disso, o cenário deve ficar mais competitivo com debates na televisão e uma intensa movimentação do governo federal, que, ao que tudo indica, entrará com força total para tentar consolidar sua base de apoio.

Um ponto importante destacado pelo analista é que essa repetição da disputa entre representantes do lulismo e do bolsonarismo pela terceira eleição consecutiva sinaliza a cristalização de posições na sociedade brasileira. Essa polarização, segundo ele, faz com que seja difícil a entrada de novas forças políticas nesse cenário e reforça a fragmentação já observada no Brasil. Além disso, a eleição também mostrou que os candidatos ligados à extrema direita, incluindo os do partido de Flávio Bolsonaro, tiveram destaque, com promessas de pautas polêmicas, como o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Essa escalada conservadora, ainda segundo Grin, não se limita ao Brasil, pois países como a Alemanha também registraram avanços de partidos de direita, como a AfD, mostrando um movimento global em direção ao antissistema.

Para o cientista, uma das razões que explica esse fenômeno é o sentimento de que o sistema político está corrompido e que os políticos tradicionais representam as elites, responsáveis por problemas como a redução do poder de compra e a crise econômica. A penalização do incumbente acontece por diferentes motivos, incluindo sinais difusos de insatisfação e escolhas nem sempre racionais da população. Ainda assim, ele ressalta que, se o governo Lula tivesse uma avaliação mais positiva, a disputa no segundo turno poderia ser mais equilibrada. A estratégia de campanha, no entanto, não conseguiu captar esse descontentamento de forma a maximizar o apoio político.

Quanto às possibilidades de Lula reverter o quadro no segundo turno, Grin acredita que será uma tarefa difícil. Ele compara a decisão ao jogo de uma Copa Libertadores, onde a fase de grupos difere da eliminatória direta. Segundo o analista, Flávio Bolsonaro deve contar com a maioria dos votos que foram destinados aos candidatos nanicos no primeiro turno, e há até a possibilidade de que a diferença entre os dois candidatos possa aumentar. No entanto, ele também alerta que novos fatores podem influenciar os desfechos, como debates na televisão e uma maior mobilização do governo, que tentará consolidar sua base de apoio e fazer a sua campanha de resistência.

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O que sabemos?

  • Flávio Bolsonaro lidera no primeiro turno com 47% dos votos
  • Lula aparece com 45%, com avaliações negativas do governo Lula
  • 20 estados já têm definição de vantagem dos candidatos conservadores
  • Cenário indica fortalecimento da extrema direita e resquícios de uma polarização consolidada
  • Expectativa de debates na TV e fortes ações do governo no segundo turno

Fontes

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