Política

Mudanças no mapa de apoio de Lula nas cidades de menor renda

Em apuração ?

Análise mostra variações na preferência eleitoral conforme a renda municipal

Mapa do Brasil com destaque para municípios de diferentes rendas e resultados eleitorais
Imagem: BBC News Brasil

Pesquisas alertam para divisão na votação de Lula e Flávio Bolsonaro dependendo da situação econômica dos municípios.

Segundo dados divulgados pela BBC News Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) apresentou um desempenho inferior ao esperado no primeiro turno da eleição presidencial realizado no último domingo, 4 de outubro. Enquanto mantém vantagem na maioria dos municípios de menor renda, a análise revela uma queda na participação de votos válidos de Lula nessas cidades em comparação com o primeiro turno de 2022.

De acordo com o levantamento, Lula perdeu participação em 954 dos mil municípios de menor renda do Brasil ao longo de um ano, embora continue à frente de Flávio Bolsonaro (PL) em 971 dessas cidades. Nesse grupo, a fatia de votos recebida pelo petista passou de 73,76% para 69,78%, demonstrando uma leve redução no apoio. Em contrapartida, Flávio Bolsonaro conquistou 26,26% dos votos, uma evolução em relação aos 21,29% conquistados pelo pai, Jair Bolsonaro, em 2022. A pesquisa cruzou dados oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com informações do Censo 2022 do IBGE, permitindo uma comparação detalhada da votação com a renda média dos municípios.

O estudo revelou uma relação direta entre renda e preferência por candidato. Em cidades de menor renda, Lula lidera em 971 municípios, enquanto Flávio Bolsonaro faz mais sucesso em 967 das cidades de maior renda, onde a maioria tem rendimento médio mensal superior a R$ 4.000. Destaca-se o município de Uiramutã, em Roraima, o mais pobre do levantamento, com rendimento per capita de R$ 288,65, onde Lula atingiu quase 69% dos votos válidos e a maioria da população (96,6%) se declara indígena. Outras cidades pobres como Bagre, no Pará, e Manari, em Pernambuco, também apresentaram alta votação para Lula, com fatias que ultrapassaram 74% e 85%, respectivamente.

Por outro lado, nos territórios de maior renda, candidatos de direita ou de centro-direita tiveram melhor desempenho. Em Nova Lima, Minas Gerais, município com a maior renda média do levantamento, de R$ 4.299,91, Flávio Bolsonaro obteve 46,08% dos votos, enquanto Lula ficou com 42,58%. Em cidades próximas, como São Caetano do Sul, com renda de R$ 3.884,58, e Florianópolis, com R$ 3.636,13, os percentuais de Flávio sobressaíram-se, com 53,96% e 48,63%, respectivamente. Entretanto, há também exceções na relação entre renda e voto: em cidades de alta renda como Niterói, no Rio de Janeiro, com R$ 3.577,32 de média per capita, Lula conquistou quase 49% dos votos, e em Porto Alegre, com R$ 3.203,31, seu desempenho foi próximo a essa margem, tanto que a correlação entre economia e preferência foi menos evidente.

Em contrapartida, alguns municípios de baixa renda de Roraima, como Alto Alegre e Normandia, lideraram a votação de Flávio Bolsonaro, com percentuais de 71,59% e 53,84%, respectivamente. Esses dados reforçam a complexidade do cenário, onde a renda é um fator importante, mas não exclusivo, para entender as preferências eleitorais. Ainda não há confirmação oficial se esse padrão se consolidará na próxima fase da disputa, mas o levantamento da BBC evidencia uma divisão que chamou atenção ao longo da apuração. A discussão sobre a influência da condição socioeconômica na preferência política volta à tona e deve ser acompanhada nos próximos dias, especialmente enquanto o país se prepara para o segundo turno.

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O que sabemos?

  • Lula teve um desempenho pior do que o esperado no primeiro turno
  • Perda de participação em 954 municípios de menor renda em 2023 comparado a 2022
  • Lula manteve liderança em regiões mais pobres, com votos de cerca de 70% nesses locais
  • Flávio Bolsonaro lidera em municípios de maior renda, com votação acima de 50% em alguns cases
  • A relação entre renda e preferência eleitoral mostra uma divisão clara, mas com exceções
  • Dados baseados em cruzamento entre resultados oficiais do TSE e o Censo 2022

Fontes

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