Política

Crise no STF preocupa empresários e aumenta discussão sobre o estado das instituições brasileiras

Em apuração ?

Representantes do setor empresarial anunciam manifestações pedindo maior respeito às regras democráticas

Horácio Lafer Piva em seu escritório em São Paulo, expresando preocupação com crise no STF
Imagem: Folha de S.Paulo

A crise instalada no Supremo Tribunal Federal ganha atenção de líderes empresariais, que alertam para o risco de desestabilização das instituições e do cenário econômico do país.

Segundo fontes próximas do setor empresarial, a crise no Supremo Tribunal Federal (STF) tem se mostrado mais grave do que se imaginava, com líderes do empresariado afirmando que a situação "está virando um monstro a nos engolir". Horácio Lafer Piva, que já liderou a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e atualmente preside o conselho deliberativo da Indústria Brasileira de Árvores (Ibá), afirmou que o momento é de grande preocupação e que há uma mistura de problemas políticos, econômicos e institucionais em uma fase critica, às vésperas de mais uma eleição polarizada.

De acordo com Piva, o cenário atual exige que a sociedade civil demonstre apoio ao presidente do STF, Edson Fachin, para ajudar a pacificar a corte. Ainda segundo ele, essa crise ameaça dar continuidade a uma série de desafios que o país enfrentará em 2027, como juros altos, inadimplência, desequilíbrios nas contas públicas, insegurança jurídica e corrupção. Para os empresários, apesar de evitarem abrir publicamente suas insatisfações, há um movimento de assinaturas em manifestos que pedem um freio na confusão envolvendo o STF. Essa mudança, segundo Piva, reflete uma transformação na postura do público, que passou da indiferença para uma indignação responsável, uma esperança de que o Brasil possa ainda se recuperar da situação de anomia em que se encontra.

Ele destacou que, em 2022, o discurso contra o risco democrático era mais evidente, com a preocupação clara de um risco de golpe ou de desmoronamento da ordem democrática. Agora, porém, segundo Piva, a confusão se apresenta de maneira mais sofisticada, envolvendo questões complexas na economia, política e nas próprias instituições. Além disso, ele comentou sobre a tensão interna no STF e a importância de fortalecer o ministro Fachin, que estaria passando por uma fase de grande tensão devido ao impacto da política na corte. "Parte do que estamos fazendo é para dar suporte a ele, que deve estar vivendo uma enorme tensão porque a política engoliu o Supremo", afirmou o líder empresarial.

Sobre a participação da sociedade nas eleições, Piva lamentou que, neste ano, o movimento em defesa de uma terceira via, adotado na eleição passada por alguns setores, não tenha sido tão presente. Ele explica que, na última temporada, nomes como Eduardo Leite, Ratinho Júnior, Zema e Caiado tentaram formar uma alternativa de centro, mas suas candidaturas não ganharam expressividade, alcançando cerca de 2% a 3% das intenções de voto. Para ele, a situação atual reflete uma insatisfação generalizada com ambos os extremos, levando um número de apoiadores a se manter acima de qualquer divisão partidária, formando um campo de resistência às influências políticas extremas.

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O que sabemos?

  • A crise no STF é encarada por líderes empresariais como uma ameaça à estabilidade do país.
  • Horácio Lafer Piva, líder empresarial, afirmou que a crise "está virando um monstro".
  • Há um movimento de assinaturas de manifestos por maior respeito às regras democráticas.
  • No passado, havia maior preocupação com risco de golpe; agora, a crise aparenta ser mais complexa e multifacetada.
  • A participação na política por parte da sociedade mudou, com menos apoio às candidaturas de centro.

Fontes

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