Política

Centrão evita candidatura presidencial em 2024, mas vira apoio estratégico para Lula no Congresso

Em apuração ?

Partidos do bloco optam por neutralidade nas urnas, mas dispõem diretórios para apoios regionais

Reunião política entre lideranças do Centrão no Congresso
Imagem: BBC News Brasil

Na eleição presidencial de 2024, o Centrão decidiu não lançar candidatos e manter uma postura neutra, porém integra no Congresso um suporte relevante à campanha do ex-presidente Lula, segundo apuração.

O chamado Centrão, coalizão informal de partidos de centro-direita com histórico de apoio a governos em troca de verbas e cargos, optou por não lançar candidatura própria à Presidência da República nas eleições de 2024. Segundo especialistas, essa decisão reforça a dificuldade histórica desses partidos em apresentar um projeto nacional que mobilize o eleitorado, o que os mantém em uma posição mais estratégica nos bastidores políticos do que diretamente nas urnas.

A definição de liberar os diretórios regionais para apoiarem candidatos locais e, ao mesmo tempo, permanecer neutros em relação aos nomes presidenciais foi oficializada no último dia do registro de candidaturas. A composição do bloco inclui algumas das forças políticas mais tradicionais do país, como MDB, Progressistas (PP), Republicanos, União Brasil e Podemos, que cogitaram só até o fim não entrar no páreo presidencial.

Para o cientista político Cláudio Couto, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), os componentes do Centrão são "partidos de adesão" que buscam permanência no poder atendendo interesses por cargos e verbas, sem apresentar uma agenda política nacional clara. "A lógica é aderir aos governos, desde que bem recompensados", explica Couto, em referência ao histórico de apoios ajustados conforme o cenário político.

Na prática, essa neutralidade oficial oculta um movimento de apoio no Congresso. Conforme apurou a BBC News Brasil, em uma fala interna que causou surpresa, o vice na chapa do PSD, Gilberto Kassab, afirmou ter orientado os partidos do Centrão a apoiaram a candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). "Os partidos do Centrão não estão apoiando o Caiado, estão com Lula", declarou Kassab em evento fechado com empresários na semana passada.

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A mesma fonte confidencial ligada à campanha do PSD reconheceu que essa declaração foi "uma verdade inconveniente" e que "não poderia ter sido dita, mas é verdade". Kassab também diminuiu as chances eleitorais de Flávio Bolsonaro, candidato pelo PL, afirmando que a probabilidade de sua eleição ao Palácio do Planalto é "zero". Essa informação ainda não foi confirmada oficialmente, e o PSD não fez pronunciamento público sobre o assunto.

O único partido do chamado Centrão que lançou candidatura presidencial própria foi o PSD, com Ronaldo Caiado, mas, mesmo assim, parte da articulação interna sugere que o bloco caminha para um alinhamento indireto com Lula na disputa presidencial e especialmente na corrida pelo controle no Congresso Nacional.

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O que sabemos?

  • O Centrão decidiu não lançar candidatura à Presidência em 2024.
  • Partidos do bloco liberaram seus diretórios para apoios regionais.
  • Gilberto Kassab afirmou que o Centrão apoia Lula, não Caiado.
  • Kassab afirmou que Flávio Bolsonaro tem "zero" chance nas eleições.

Fontes

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