Policial

Três em cada 10 mulheres do Acre sofreram violência doméstica sem denunciar, mostra pesquisa

Em apuração ?

Estado ocupa 4ª colocação nacional na subnotificação de casos, com 33% das mulheres afetadas sem relato espontâneo

Mulher pensativa, simbolizando a violência doméstica não denunciada no Acre
Imagem: G1

Levantamento realizado pelo Senado, Instituto Natura e Gênero e Número ouviu mais de 20 mil mulheres em 2025 e revelou que 34% das acrianas já sofreram violência doméstica alguma vez na vida, sendo a psicológica a mais comum

Uma pesquisa inédita sobre violência doméstica no Brasil revela que 33% das mulheres no Acre reconhecem ter sofrido agressões em casa, mas não relataram espontaneamente os casos. Segundo o estudo elaborado pelo Senado Federal em parceria com o Instituto Natura e a organização Gênero e Número, o Acre aparece na quarta colocação nacional em subnotificação, ficando atrás apenas de Alagoas (37%), Amazonas (36%) e Tocantins (34%).

O levantamento ouviu mais de 20 mil mulheres em 2025 para identificar dados que normalmente não são registrados oficialmente. A pesquisa aponta que cerca de 34% das entrevistadas afirmaram já ter sido vítimas de violência doméstica ao longo da vida, sendo que 90% delas relataram que a violência sofrida foi de natureza psicológica, incluindo insultos, acusações falsas e humilhações. Entre as entrevistadas, 23% disseram ter sido insultadas por alguém do convívio, 20% relataram ter sofrido acusações falsas e outros 20% relataram humilhação pública.

Outro dado preocupante revela que a primeira agressão ocorreu geralmente antes dos 19 anos de idade, e ainda que 24% das mulheres vítimas convivem atualmente com o agressor, o que pode dificultar a denúncia e o acesso à proteção. O estudo coloca em evidência a persistente subnotificação da violência contra a mulher no Acre, um problema que reflete tanto o medo quanto a falta de apoio ou recursos para denunciar.

Além de mostrar a dimensão do problema, a pesquisa reforça a complexidade do combate à violência psicológica, muitas vezes ignorada ou minimizada, mas que atinge a maioria das mulheres na região. Este tipo de violência pode envolver manipulação, controle e destruição da autoestima, deixando marcas profundas mesmo sem agressões físicas aparentes.

Até o momento, a informação foi divulgada apenas pelo G1, não havendo ainda posicionamento oficial do governo do Acre ou de outras instituições locais em relação aos desdobramentos do estudo ou medidas específicas para enfrentar a subnotificação. O levantamento torna-se uma importante ferramenta para pautar políticas públicas, prevenção e atendimento especializado para as mulheres vítimas no estado.

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O que sabemos?

  • O Acre tem 33% das mulheres que sofreram violência doméstica sem declarar espontaneamente
  • A pesquisa foi conduzida pelo Senado, Instituto Natura e Gênero e Número em 2025
  • Mais de 20 mil mulheres foram ouvidas, mostrando que 34% já sofreram violência doméstica na vida
  • 90% das agressões relatadas são de natureza psicológica, e 24% convivem com o agressor

Fontes

  • G1 imprensa
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