Policial

Por que o corpo de Mao Tsé-Tung não foi cremado?

Em apuração ?

Histórias e mistérios em torno das decisões sobre o corpo do líder chinês

Imagem do mausoléu de Mao Tsé-Tung na Praça da Paz Celestial, Beijing
Imagem: Aventuras na História

Mao Tsé-Tung morreu em 1976 e seu corpo foi preservado em um mausoléu, contrariando propostas anteriores de cremação, o que gera dúvidas e interpretações.

Quando Mao Tsé-Tung faleceu em 9 de setembro de 1976, aos 82 anos, a China viveu um momento de grande comoção e incerteza política. Fundador da República Popular e líder do Partido Comunista desde 1943, Mao tinha uma autoridade quase simbólica, e sua morte deixou o país sem uma sucessão definida de forma consolidada. Uma questão que ainda alimenta debates é o motivo pelo qual o corpo do líder não foi cremado, como havia sido uma proposta formal dele há 20 anos, em 1956. Segundo uma fonte, a preservação do cadáver contraria uma posição que Mao apoiou explicitamente, pois na década de 1950, ele foi o primeiro signatário de uma iniciativa coletiva que defendia a cremação de dirigentes para economizar terras e promover valores socialistas. Ainda não há registro oficial de que Mao tivesse um desejo pessoal de ser cremado, o que reforça a interpretação de que a decisão de manter seu corpo exposto foi uma estratégia política. Logo após a morte, seu corpo foi levado ao Grande Salão do Povo, na Praça da Paz Celestial, onde permaneceu exposto em velório oficial durante o período de luto. Em setembro, o então primeiro-ministro Hua Guofeng pronunciou seu discurso fúnebre diante de uma multidão, reafirmando sua posição de sucessor, embora o controle do partido ainda estivesse em disputa. A questão da preservação do corpo de Mao remonta a uma prática comum em regimes comunistas: assim como Vladimir Lenin, em Moscou, teve seu corpo exposto desde os anos 1920, Mao também foi mantido em um mausoléu. A estratégia de expor cadáveres de grandes líderes, incluindo Josef Stalin e Vladimir Lenin, tinha o objetivo de consolidar a figura do líder como símbolo da continuidade e da permanência do regime. A decisão de manter Mao exposto também foi interpretada por especialistas como uma forma de reforçar a autoridade do Partido Comunista na fase de transição pós-morte, enquanto a sucessão era negociada nos bastidores. Houve controvérsias e dificuldades técnicas durante o processo de preservação, mas o regime optou por seguir essa linha. Ainda assim, a documentação oficial sobre a decisão não é completa, o que mantém as dúvidas sobre se houve divergências internas ou se a manutenção do corpo foi uma estratégia unificada. De acordo com o pesquisador Hang Tu, da Universidade Nacional de Singapura, a exposição do cadáver de Mao elevou-o ao status de relíquia política, simbolizando a continuidade da soberania do Partido. Assim, o corpo deixou de ser apenas um símbolo de morte, passando a representar a permanência da revolução chinesa. Relatos indicam que, menos de um mês após a morte, em 6 de outubro de 1976, Jiang Qing — viúva de Mao e integrante do grupo radical da Revolução Cultural — foi presa junto a seus aliados em uma operação liderada por Hua Guofeng, Ye Jianying e Wang Dongxing. Essa prisão marcou o fim político do movimento e reforçou a figura de Hua na liderança, além de simbolizar o encerramento da fase mais turbulenta da revolução. Tais fatos revelam que a preservação do corpo de Mao não foi apenas uma decisão técnica, mas uma estratégia que envolveu aspectos simbólicos e políticos, cuja compreensão ainda provoca debates entre estudiosos e o público que busca entender os bastidores desse momento histórico.

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O que sabemos?

  • Mao Tsé-Tung morreu em 9 de setembro de 1976, aos 82 anos.
  • Seu corpo foi preservado e exposto no Grande Salão do Povo, na Praça da Paz Celestial.
  • A proposta de cremação de Mao foi formalizada em 1956, mas nunca foi uma instrução individual.
  • A preservação do corpo faz parte de uma prática semelhante à de Lenin e Stalin na história comunista.
  • A prisão de Jiang Qing e seus aliados ocorreu em 6 de outubro de 1976, menos de um mês após a morte de Mao.

Fontes

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