Mortes violentas por causas indeterminadas disfarçam a realidade da violência no Brasil
Especialista da USP alerta para possível subnotificação de homicídios e necessidade de investigação mais rigorosa
O Brasil registrou aumento recorde nas mortes violentas por causas indeterminadas em 2024, enquanto o número oficial de homicídios apresentou queda. Especialista da USP aponta que esse fenômeno pode indicar falhas na apuração dos crimes e ocultação da violência real.
O crescimento das mortes violentas por causas ainda não identificadas tem chamado a atenção de especialistas em segurança pública no Brasil. De acordo com o Atlas da Violência, elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o número dessas mortes aumentou de 13.896 em 2023 para 17.207 em 2024, o maior registro desde o início da série histórica. Ao mesmo tempo, o relatório aponta uma redução no número oficial de homicídios, que caiu 6,9% no período, totalizando 42.590 casos em 2024.
Para Daniel Pacheco Pontes, advogado criminalista e professor da Faculdade de Direito de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (USP), essa aparente contradição entre os dados merece ser analisada com cautela. "Essa redução do número de homicídios, coincidindo com o recorde de mortes violentas por causa indeterminada, pode significar que nós tenhamos uma manutenção do número ou até mesmo um aumento que foi maquiado por conta de não sabermos exatamente o que houve no caso dessas mortes. Isso pode acontecer, mas nós não conseguimos afirmar com certeza", afirma o especialista.
O fenômeno descrito por Pontes refere-se aos chamados "homicídios ocultos" — situações em que mortes provocadas por violência não são corretamente classificadas como homicídios nas estatísticas oficiais. Como consequência, a real dimensão da violência pode estar subestimada, uma dificuldade que desafia tanto as autoridades responsáveis pela segurança pública quanto os pesquisadores da criminologia.
Segundo o professor da USP, compreender a verdadeira extensão dessas mortes é fundamental para que políticas públicas e estratégias de combate à violência sejam mais eficazes, visto que a falta de clareza prejudica o diagnóstico da situação atual. Ele destaca que a subnotificação pode esconder graves falhas na apuração dos crimes, seja por limitações técnicas, falta de recursos ou mesmo erros judiciais.
Até o momento, as informações sobre esse aumento nas mortes violentas por causas indeterminadas foram divulgadas exclusivamente pelo Jornal da USP, sem confirmação oficial adicional. O cenário, porém, já levanta um importante alerta: a aparente queda dos homicídios no Brasil pode estar mascarada por mortes violentas que ainda não foram devidamente investigadas ou classificadas. Por isso, a necessidade de aprofundar as investigações e aprimorar o registro dessas mortes torna-se um desafio urgente para a segurança pública no país.
O que sabemos?
- Mortes violentas por causas indeterminadas aumentaram de 13.896 em 2023 para 17.207 em 2024, segundo o Atlas da Violência (Ipea).
- Número oficial de homicídios caiu 6,9% em 2024, totalizando 42.590 casos.
- Especialista da USP alerta para possível subnotificação de homicídios e existência de "homicídios ocultos".
- Informação ainda não confirmada por outras fontes além do Jornal da USP.
Fontes
- Jornal da USP fonte oficial
- Jornal da USP fonte oficial





