Investigações revelam participação de servidores do Banco Central em esquema envolvendo ex-controlador do Banco Master
Grupo no WhatsApp criado por ex-chefe de supervisão mostrou trocas de informações e orientações sobre fiscalização de banco envolvido em escândalo financeiro
Segundo a Polícia Federal, Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, participava de grupo no WhatsApp com servidores do Banco Central, configurado como uma espécie de consultoria privada. A investigação aponta dificuldades na liberação de empréstimo de R$ 6,6 bilhões para salvar o Banco Regional de Brasília, o BRB, que já enfrenta riscos de liquidação.
Novas revelações da Polícia Federal apontam que Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, mantinha um grupo de WhatsApp com servidores do Banco Central (BC), conforme documentos tornados públicos nesta semana por decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo a PF, o grupo foi criado no dia 2 de outubro de 2025 pelo então chefe de supervisão do BC, Belline Santana, e teria como objetivo uma "prestação de uma espécie de consultoria" a Vorcaro.
De acordo com as informações da investigação, Vorcaro enviava documentos relacionados ao Banco Master e solicitava opiniões para realizar alterações antes de submeter as propostas ao gabinete dos servidores do autarquia. Ainda segundo a Polícia Federal, dois servidores do BC receberam propina para orientar Vorcaro em reuniões com a instituição e revisar documentos de fiscalização. Inclui-se nesse esquema o ex-chefe adjunto do Departamento de Supervisão Bancária, Paulo Sérgio Neves de Souza, que teria atuado reiteradamente como uma espécie de consultor informal para o ex-banqueiro, oferecendo orientações detalhadas e revisando materiais sensíveis, sempre em benefício do interesse privado de Vorcaro.
Além dessas operações internas, a investigação aponta um esforço do STF e de órgãos federais para viabilizar um empréstimo de R$ 6,6 bilhões ao Banco Regional de Brasília (BRB). Segundo o ministro Luiz Fux, essa linha de crédito, ainda não confirmada oficialmente, foi solicitada para cobrir parte do rombo causado pela compra de carteiras fraudulentas do Banco Master pelo BRB. Fux deu prazo de 15 dias, a partir de 9 de setembro, para que a União, o Banco Central e o Fundo Garantidor de Crédito esclareçam os entraves na autorização do empréstimo. A intenção é evitar a liquidação do banco, que corre risco de ser liquidado pelo BC por não atender às exigências regulatórias, caso o empréstimo não seja viabilizado.
Por ora, as ações investidas apontam uma possível configuração de conflito de interesses e conduta irregular envolvendo servidores do Banco Central e um ex-banqueiro, em um cenário que ainda aguarda confirmações oficiais. O clube de vigilância financeira, que deveria zelar pela integridade do sistema, acaba sendo palco de envolvimento de pessoas ligadas à supervisão, numa situação que requer investigação aprofundada e transparência.
O que sabemos?
- Daniel Vorcaro participava de grupo no WhatsApp com servidores do Banco Central.
- O grupo foi criado em 2 de outubro de 2025 e tinha como objetivo uma espécie de consultoria.
- Dois servidores do BC receberam propina para orientar Vorcaro e revisar documentos.
- A investigação aponta que essas ações envolveram um esquema de interesses privados.
- Fux deu 15 dias para que as autoridades esclareçam dificuldades na liberação de empréstimo ao BRB.
Fontes
- BBC News Brasil imprensa
- CNN Brasil imprensa
- Agência Brasil fonte oficial
- CNN Brasil imprensa
- G1 imprensa


