Policial

Investigação revela estratégia de influência contra o Banco Central após liquidação de banco

Em apuração ?

Polícia Federal apura suposta campanha coordenada por empresário para atacar o órgão regulador

Print de redes sociais com críticas ao Banco Central
Imagem: CNN Brasil

Segundo fontes da Polícia Federal, uma operação identificou uma tentativa de influenciar a opinião pública e prejudicar o Banco Central após a liquidação do Banco Master, decretada em novembro de 2025.

A Polícia Federal investiga uma alegada estratégia coordenada para disseminar críticas ao Banco Central do Brasil logo após a liquidação do Banco Master, ocorrida em novembro de 2025. Segundo informações obtidas da própria PF, há indícios de que influenciadores digitais com milhões de seguidores foram contratados por um empresário para promover uma campanha negativa contra a autarquia financeira, numa tentativa de prejudicar sua imagem pública.

De acordo com o inquérito, interiorizado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) após solicitação do ministro André Mendonça, os contatos com influenciadores começaram em dezembro de 2025, pouco tempo depois de o empresário Daniel Vorcaro deixar a prisão pela primeira vez, no fim de novembro, sob decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região. A operação da PF indica que a estratégia, chamada internamente de "Projeto DV", tinha por objetivo trabalhar a reputação do banqueiro e questionar a decisão de liquidar o banco, que tinha provocado uma forte repercussão política e econômica.

Segundo as investigações, algumas dessas publicações criticando o Banco Central foram feitas por perfis no Instagram com mais de 20 milhões de seguidores, embora muitas dessas postagens tenham sido apagadas posteriormente. Ainda não há confirmação oficial de quais perfis específicos participaram ou de quem exatamente foi contratado, mas o material registrado inclui depoimentos de pessoas que afirmam ter sido procuradas para aceitar as propostas, além de mensagens preservadas em cartório que ajudam a reconstruir parte do planejamento estratégico por trás da campanha.

O momento de desencadeamento da suposta ação também despertou atenção dos investigadores, pois ocorreu pouco depois que o Tribunal de Contas da União sinalizou que poderia desfazer a liquidação do Banco Master, em um cenário de forte disputa jurídica e política. Segundo a PF, a intenção do grupo era talvez influenciar o andamento dessas investigações e tentar impactar decisões em andamento no STF e no TCU, além de tentar descredibilizar o Banco Central perante o público.

Segundo relato da própria PF, o empresário Vorcaro procurou uma empresa de marketing para promover a propaganda negativa e difamatória contra o órgão regulador, uma hipótese que ainda não foi confirmada oficialmente. No dia 12 de fevereiro, o vereador Rony Gabriel, de Erechim (RS), e a jornalista Juliana Moreira Leite também afirmaram, nas redes sociais, que receberam propostas similares, o que reforça a hipótese de uma estratégia articulada e disseminada. Ainda não há, contudo, um posicionamento oficial do empresário ou das empresas supostamente envolvidas.

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O que sabemos?

  • A investigação da Polícia Federal aponta que influenciadores com milhões de seguidores foram contratados para criticar o Banco Central após a liquidação do Banco Master.
  • Os contatos começaram em dezembro de 2025, logo após a prisão de Vorcaro, que ocorreu em novembro do mesmo ano.
  • Perfis no Instagram com mais de 20 milhões de seguidores participaram da campanha, embora muitas publicações tenham sido apagadas.
  • A estratégia estaria relacionada a tentar influenciar decisões do STF e do TCU e prejudicar a reputação do Banco Central.
  • Relatos de políticos e jornalistas indicam que também receberam propostas similares, segundo a investigação.

Fontes

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