Influencer de São Paulo registra BO por ameaças após apoiar Lula nas redes sociais
Após declarar voto em Lula, Mateus Fernandes denuncia ataques coordenados e exposição de endereço
Mateus Fernandes, influencer de Guarulhos, registrou boletim de ocorrência por ameaças de morte e tortura após apoiar publicamente o reeleição do presidente Lula. Segundo ele, os ataques se intensificaram após sua participação em campanha de influência em favor do candidato petista.
Mateus Fernandes, um influencer e criador de conteúdo de São Paulo, de 26 anos, registrou um boletim de ocorrência nesta semana na capital paulista após receber ameaças de morte e tortura nas redes sociais, motivadas por sua posição política favorável à reeleição do presidente Lula, do PT. Segundo Fernandes, as ameaças tiveram início após o primeiro turno da eleição presidencial, quando ele decidiu usar suas plataformas para falar sobre política, defesa da tolerância e direitos sociais.
Fernandes é natural de Guarulhos, formado em Jornalismo e fundador do projeto InfoPerifa, que busca combater a desinformação climática e promover justiça ambiental e direitos raciais e territoriais, principalmente nas periferias brasileiras. Ele explicou que também frequenta a umbanda e atua na formação de uma rede chamada Vira-Voto, composta por cerca de 500 influencers periféricos de todo o país, com o objetivo de incentivar o voto na campanha do PT. Após a campanha, o conteúdo produzido por Fernandes teve uma ampliação expressiva, chegando a mais de 9 milhões de acessos mensais, elevando sua visibilidade, mas também expondo-o a riscos.
Desde o dia 7, mês em que a rede Vira-Voto foi criada, Fernandes percebeu uma escalada nos ataques coordenados, com perfis sem foto ou usando bandeira do Brasil ou imagens de Jesus, que postavam mensagens caluniosas, ameaças de morte e até referências explícitas a violência racista, como a Ku Klux Klan. "Eles postavam mensagens de calúnia e ameaça conjuntamente e, cinco minutos depois, apagavam essas mensagens", relatou. Entre as ameaças, está um insulto racial dirigido a ele, e uma mensagem que dizia: "Macaco fedido macumbeiro, você tem 22 dias pra te matar. Você". Além disso, seu endereço residencial foi divulgado na internet, o que aumentou sua preocupação com uma possível violência física contra ele ou sua família.
Segundo Fernandes, ele procurou auxílio jurídico e foi ao Departamento de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi), além de encaminhar as denúncias à Divisão de Crimes Cibernéticos (DCCiber). Ele afirma que, desde a divulgação de seu endereço, tem sofrido de crises de ansiedade e crises de saúde mental, chegando a ficar em casa de amigos de sua religião. Uma mensagem de um usuário ainda revelou que ele "sonhava em matar" o influencer e que não desistiria até encontrá-lo. Fernandes declarou ainda que deseja retornar à sua residência, mas teme pelo que pode acontecer até que os ataques cessem, o que fica ainda mais incerto diante do resultado do segundo turno eleitoral.
Os advogados de Fernandes solicitaram ao Ministério Público de São Paulo uma investigação sobre o que foi classificado como “operação orquestrada de ataques cibernéticos em massa”, incluindo manifestações de ódio racial, racismo religioso e apologia ao nazismo. Ainda não há confirmação oficial das ações ou se envolveu alguma organização específica, e o próprio clube não se pronunciou até o momento. A fonte da denúncia, representada pelo advogado Tiago Fernandes, afirma que os ataques são geralmente orquestrados por perfis de fora do Brasil, e que tudo indica uma operação coordenada para intimidar Fernandes por sua posição política. Ainda assim, essas informações continuam sendo parte de uma investigação em andamento, e a autoria completa dos ataques ainda não foi confirmada oficialmente.
O que sabemos?
- Mateus Fernandes registrou boletim de ocorrência por ameaças de morte e tortura.
- As ameaças começaram após o primeiro turno da eleição, quando ele apoiou Lula.
- Fernandes criou uma rede de influência com cerca de 500 participantes para campanha de voto no PT.
- Ele recebeu ameaças coordenadas, incluindo mensagens de racismo e referências à KKK.
- Seu endereço residencial foi divulgado na internet, aumentando sua preocupação com a segurança.
Fontes
- G1 imprensa





