Homem é libertado após júri entender que ele não quis matar namorada em Cajuru
Decisão ocorreu após julgamento que concluiu ausência de intenção de feminicídio no incidente ocorrido em janeiro de 2025.
Denis Cipriano de Carvalho Silva foi condenado por lesão corporal grave e descumprimento de medida protetiva após empurrar a namorada de um carro em movimento, mas foi liberado graças à pena inferior a quatro anos.
Na cidade de Cajuru, uma decisão inusitada chamou atenção nesta quinta-feira (17), quando o Tribunal do Júri decidiu pela soltura de Denis Cipriano de Carvalho Silva, após concluir que ele não teve intenção de matar sua namorada ao empurrá-la de um carro em movimento. O réu estava preso desde março de 2025, após ser inicialmente acusado de tentativa de feminicídio, mas agora foi condenado por lesão corporal grave e por descumprimento de medida protetiva, crimes pelos quais a pena prevista é menor de quatro anos. Com isso, um alvará de soltura foi expedido, permitindo que Denis recorra em liberdade.
Segundo informações da própria audiência, as agressões aconteceram em janeiro do mesmo ano, na Rua Capitão José Ferreira Diniz, no centro de Cajuru, após uma discussão durante a tradicional Festa de São Sebastião. Ainda de acordo com a denúncia e testemunhas ouvidas, Gabriele Gonçalves, a vítima, foi atingida por um soco no olho, puxada pelos cabelos e obrigada a entrar no carro do namorado, onde continuou sendo agredida. Ela relatou que tentou sair do veículo várias vezes, mas que o automóvel estava em movimento, o que a levou a gritar por socorro, chamando atenção de pessoas na rua. Após diversas tentativas, Gabriele conseguiu abrir a porta do carro e foi empurrada para fora pelo namorado.
Gabriele afirmou que foi uma experiência traumática e que, apesar de estar viva, considera um milagre poder contar o que aconteceu. Ela foi socorrida por testemunhas e levada inicialmente para a Santa Casa de Cajuru, sendo transferida posteriormente para o Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto devido à gravidade das lesões. Segundo o Ministério Público, além das agressões físicas, o caso também envolveu o uso de força para obrigá-la a entrar no veículo e a resistência dela, que resultou na própria queda de um pé preso no banco do carro durante o incidente. Ainda não se confirmou oficialmente outras medidas ou ações do Ministério Público além da denúncia inicial.
Durante o julgamento, a defesa de Denis alegou que a acusação de feminicídio seria infundada, argumentando que Gabriele tentou criar uma "narrativa falsa" para incriminá-lo. Foram ouvidas dez testemunhas, incluindo o próprio réu, e o tribunal também analisou uma carta de uma ex-namorada de Denis, na qual ela relatava episódios de agressões físicas ocorridas entre 2012 e 2016. O julgamento terminou na noite desta quinta-feira, e os jurados concluíram que o réu não quis matar a namorada, condenando-o apenas por lesão grave e descumprimento de medida protetiva. Como a pena dos crimes em questão é menor de quatro anos, foi expedido um alvará de soltura para que ele pudesse deixar a prisão em liberdade e recorrer pelo regime aberto.
O advogado de Denis, Mauricio Ferraz, comemorou a decisão, afirmando que a condenação em regime aberto foi uma "satisfação muito grande" e que a defesa confia em uma possível reversão na instância superior. Vale destacar que o episódio chamou atenção pela mudança na narrativa do caso, que inicialmente foi tratado como tentativa de feminicídio, um tipo criminal que envolve violência de gênero com maior gravidade e punições mais severas. Ainda aguardam-se novos desdobramentos, já que o clube não se pronunciou oficialmente e outras fontes ainda não confirmaram detalhes adicionais.
O que sabemos?
- Réu foi solto após júri concluir que não quis matar namorada.
- Condenado por lesão corporal grave e descumprimento de medida protetiva.
- Agressões aconteceram em janeiro de 2025, em Cajuru.
- Víctima foi empurrada para fora de um carro em movimento e sofreu ferimentos graves.
Fontes
- G1 imprensa





