Policial

Política e crime: prisão de candidato a deputado em operação contra infiltração do PCC

Informações checadas ?

Investigações apontam suposto financiamento da campanha por organização criminosa no sistema de transporte de SP

Imagem de operação policial na cidade de São Paulo
Imagem: G1

Danilo Morgado, candidato a deputado estadual pelo Partido Liberal, foi preso durante operação que investiga infiltração do PCC no poder público e no transporte coletivo de São Paulo, com suspeitas de financiamento ilícito.

Nesta quinta-feira (17), a Polícia Civil de São Paulo realizou a prisão do candidato a deputado estadual Danilo Morgado, uma ação que faz parte da Operação Vectura Corrupta, voltada a investigar a infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) na administração pública e no sistema de transporte de São Paulo. Morgado, de 41 anos, é empresário com raízes na Baixada Santista, havendo morado em Praia Grande por duas décadas, e é conhecido por ter concorrido às eleições municipais de 2020 e 2024 pelo município.

Segundo informações da própria Polícia Civil, as investigações indicam que Morgado teria recebido apoio financeiro do PCC durante sua campanha à prefeitura de Praia Grande, o que leva as autoridades a suspeitar de uma ligação direta da organização criminosa com sua candidatura a deputado. Ainda conforme a polícia, diálogos apreendidos em celulares no decorrer da operação revelam uma possível intermediação de integrantes ligados ao grupo criminoso, incluindo pessoas que atuariam na Assembleia Legislativa de São Paulo, como ex-funcionários e advogados, além de empresários. Numa dessas mensagens, há menção à participação de José Ronaldo Alves de Sales, ex-funcionário da Alesp, embora detalhes adicionais ainda não tenham sido oficialmente confirmados.

As investigações também apontam que o PCC teria atuado na estruturação de uma rede de financiamento político, incluindo possíveis aportes financeiros e apoio estratégico à campanha de Morgado, cuja candidatura foi, inclusive, alvo de questionamentos históricos e teve seu registro cassado em 2023 pelo Tribunal Regional Eleitoral devido a irregularidades relacionadas ao abuso de poder econômico na eleição de 2020. As ações policiais também apontam que a facção utilizava empresas, agentes privados e públicos para alcançar os seus objetivos, além de intermediar o fluxo de dinheiro e influência no sistema de transporte de São Paulo, uma das áreas cobiçadas pela organização.

Até o momento, o advogado de Morgado não foi localizado para comentar a prisão, e o próprio candidato não se pronunciou oficialmente. O candidato é filho de uma mãe empregada doméstica e de um pai motoboy, tendo reforçado que sua infância foi marcada pela humildade na Baixada Santista, além de afirmar que aprendeu cedo o valor do trabalho ajudando seu avô numa oficina mecânica. Ainda não há detalhes sobre sua defesa ou possíveis procedimentos judiciais futuros, o que ainda não foi oficialmente confirmado pelas autoridades.

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O que sabemos?

  • Danilo Morgado foi preso durante operação contra infiltração do PCC no transporte público e na política de SP.
  • Suspeita-se que sua campanha de 2020 e 2024 foi financiada pela facção criminosa.
  • Diálogos apreendidos indicam possível intermediação de pessoas ligadas ao PCC na campanha.
  • A operação ocorreu na manhã de quinta-feira, 17, e envolveu mandados de busca e apreensão.
  • A investigação aponta que o PCC atuava na definição de aportes financeiros e influência no poder político e no transporte.

Fontes

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