Policial

Esquema de fraudes no INSS usa idosos como 'dublês' em operação que apura prejuízo de R$ 86 milhões

Em apuração ?

Grupo criminoso criava identidades falsas para garantir benefícios indevidos, com impacto na economia pública

Grupo de idosos e documentos relacionados à fraude no INSS
Imagem: Folha de S.Paulo

Investigações apontam que esquema utilizava idosos para criar identidades fictícias e fraudar o Benefício de Prestação Continuada, gerando prejuízo de R$ 86 milhões ao INSS.

Uma operação policial recente revelou um esquema criminoso complexo que envolvia idosos como 'dublês' para fraudar o INSS e Desviar cerca de R$ 86 milhões do Benefício de Prestação Continuada (BPC). Segundo fontes do Ministério Público Federal (MPF), a fraude, ainda não oficialmente confirmada por todas as autoridades, é considerada a maior de sua natureza em 26 anos da Força Tarefa Previdenciária.

De acordo com a investigação, o esquema durou aproximadamente 20 anos e utilizava impressões digitais e rostos de idosos para criar identidades falsas, conhecidas como 'dublês biométricos'. Esses idosos serviam como substitutos em cadastros de pessoas inexistentes, que eram registrados em certidões de cartórios obtidas de forma fraudulenta. Os documentos criados sustentavam pedidos de benefícios feitos ao INSS, com contatos telefônicos e endereços fictícios também utilizados para encaminhar a fraude.

Segundo ainda segundo o MPF, os criminosos atuavam nas agências do INSS por meio de procurações assinadas a rogo, ou seja, assinadas por terceiros em nome dos beneficiários, que muitas vezes não eram sequer cientes da irregularidade. Os 'dublês', idosos que emprestavam suas identidades, eram utilizados em diferentes cidades de Minas Gerais e tinham suas impressões digitais reaproveitadas em múltiplas identidades falsas, evidenciando uma técnica pericial confirmada por laudos do Instituto de Polícia Federal.

O prejuízo calculado aos cofres públicos é de aproximadamente R$ 86 milhões, com a identificação de 457 benefícios fraudulentos, dos quais 240 ainda estavam sendo sacados regularmente na época da operação. A Secretaria de Previdência declarou que, com o bloqueio das contas e benefícios ilícitos, já foram recuperados mais de R$ 35 milhões, além de se economizar recursos públicos com a interrupção da ação criminosa.

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O esquema envolvia uma rede organizada, com divisão de funções entre seus integrantes, que operavam não só na obtenção de documentos falsificados como também na manutenção dos benefícios, com etapas de atualização cadastral, reativação de benefícios suspensos e até contratação de empréstimos consignados em nome de beneficiários fictícios. Os saques e pedidos eram distribuídos por diferentes municípios, dificultando o monitoramento do sistema do INSS, segundo relato do MPF.

A investigação, que nasceu de material apreendido em operação anterior contra dois suspeitos, revelou que dois deles já tinham sido alvos da Operação Fementido, deflagrada em 2022. Atualmente, 19 réus permanecem presos preventivamente, enquanto as ações judiciais continuam para esclarecer e desmantelar integralmente o esquema, por enquanto ainda em apuração e sem pronunciamento oficial do clube criminoso ou das autoridades envolvidas.

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O que sabemos?

  • Esquema de fraude no INSS envolve idosos como dublês biométricos
  • Prejuízo estimado de R$ 86 milhões, com 457 benefícios fraudados
  • Operação policial foi a maior em 26 anos da Força Tarefa Previdenciária
  • A investigação revelou uso de impressões digitais repetidas e identidades falsas
  • 22 pessoas estão presas preventivamente, sendo 19 atualmente

Fontes

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