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Policial da Bahia é preso por suposta ligação com milícia armada na região de Correntina

Informações checadas ?

Coronel em atividade na Polícia Militar e ex-diretor de colégio militar teria recebido pagamentos para encobrir organização criminosa

Policial militar vestido com uniforme camuflado durante operação na Bahia
Imagem: G1

O tenente-coronel Luiz Augusto Normanha de Carvalho, atualmente na ativa, foi detido em Santa Maria da Vitória durante operação que investiga ligações com uma milícia armada na Bahia. Segundo o Ministério Público, ele teria recebido R$ 286 mil de um sargento reserva, líder do grupo criminoso, e atuava na definição de escalas de vigilantes para serviços ligados à atividade ilícita.

Na manhã desta quarta-feira (7), policiais e membros do Ministério Público da Bahia realizaram a terceira fase da Operação Terra Justa, dando cumprimento a mandados de prisão preventiva contra o tenente-coronel Luiz Augusto Normanha de Carvalho. Segundo fontes da investigação, o oficial, que até setembro de 2025 atuava como diretor do Colégio da Polícia Militar de Bom Jesus da Lapa, estaria envolvido em atividades relacionadas a uma milícia armada na região de Correntina, no oeste do Bahia.

De acordo com a denúncia apresentada pelo MP-BA, Normanha teria recebido aproximadamente R$ 286 mil de um sargento da reserva, identificado como líder da organização criminosa. Os pagamentos, feitos com regularidade, totalizavam cerca de R$ 15 mil por mês, além de depósitos frequentes em contas pessoais do policial, que também usava recursos para despesas de sua filha, incluindo pagamento de boletos de faculdade. Ainda sem confirmação oficial, a suspeita é de que esses valores fossem uma forma de garantir o silêncio e o afastamento de Normanha do combate às atividades ilícitas da milícia.

Segundo fontes do próprio Ministério Público, a investigação aponta que a função de Normanha incluía a definição de escalas de vigilantes armados para contratos de segurança privada, atividade que favorecia a atuação de grupos ligados à disputa por terras na região. Essas organizações, lideradas pelo sargento Santos — condenado por atividade ilegal de longa data —, estavam responsáveis por ameaças e expulsões de comunidades tradicionais de terras sob controle dos grileiros, que atuam na região de Correntina e áreas próximas.

O militar já tinha sido detido anteriormente por posse ilegal de arma, e sua exoneração do cargo de diretor do colégio militar ocorreu em setembro de 2025. Durante o período em que esteve à frente da escola, seu salário líquido era de R$ 20.862,18, conforme dados do Portal da Transparência do Governo da Bahia. Além disso, Normanha comandou a 30ª Companhia Independente da Polícia Militar de Santa Maria da Vitória até 2023, função desempenhada em uma região atualmente sob investigação devido às atividades criminosas de grupos ligados à milícia.

O papel de Normanha na operação policial ainda não teve seu desfecho oficial, e o município de Santa Maria da Vitória e a própria Polícia Militar aguardam um pronunciamento oficial. O oficial foi preso durante a terceira fase da Operação Terra Justa, que envolve órgãos estaduais e o Ministério Público, os quais buscam desmantelar o esquema de segurança privada ilegal e combater a atuação das milícias na Bahia. Ainda não há informações confirmadas oficialmente sobre o desdobramento da investigação ou sobre possíveis outros investigados na operação.

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O que sabemos?

  • Tenente-coronel Luiz Augusto Normanha de Carvalho foi preso preventivamente na Bahia.
  • Ele atuava como diretor do Colégio da Polícia Militar de Bom Jesus da Lapa até setembro de 2025.
  • Foi acusado de receber R$ 286 mil de um líder de milícia na região de Correntina.
  • Pagamentos mensais de aproximadamente R$ 15 mil, incluindo despesas pessoais e pagamento de faculdade da filha.
  • Normanha também comandou a 30ª Companhia Independente da Polícia Militar de Santa Maria da Vitória até 2023.

Fontes

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