Policiais civis de São Paulo são denunciados por esquema de propina envolvendo cargas de eletrônicos contrabandeados
Operação investiga corrupção na Polícia Civil que facilitava o transporte clandestino de mercadorias do Paraguai
Cinco policiais civis e mais três pessoas foram denunciados pelo Ministério Público de São Paulo por utilizarem delegacias e sistemas internos para cobrar propina na liberação de cargas contrabandeadas de eletrônicos. A denúncia faz parte da Operação Merx, deflagrada em agosto.
Em uma investigação que chamou atenção para a corrupção dentro da própria Polícia Civil de São Paulo, cinco policiais civis foram denunciados pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) por um esquema de propina que utilizava delegacias e sistemas internos da corporação para facilitar o transporte ilegal de eletrônicos provenientes do Paraguai. Segundo a denúncia apresentada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), esse esquema envolvia abordagens a caminhões que transportavam mercadorias contrabandeadas, com os policiais solicitando valores indevidos para liberar as cargas ou motoristas, muitas vezes através de ameaças de excesso de fiscalização ou apreensão.
De acordo com o Ministério Público, os policiais utilizavam a condição de agentes públicos e os meios materiais e informacionais à disposição na Polícia Civil para interceptar caminhões que vinham da fronteira do Paraguai e transportavam aparelhos eletrônicos ilegalmente introduzidos no Brasil. Estes produtos tinham como destino a Região Metropolitana de São Paulo, uma das maiores concentrações comerciais do país. As abordagens, ainda segundo a denúncia, muitas vezes resultavam na cobrança de uma vantagem financeira que poderia chegar a cerca de 70% do valor da carga, valor que os policiais sustentavam ser necessário em troca da liberação das mercadorias.
O esquema foi descoberto em agosto deste ano na Operação Merx, liderada pelo Gaeco, e a denúncia formalizada em setembro, após a prisão preventiva de cinco pessoas, incluindo os policiais civis denunciados. Além dos agentes públicos, outras três pessoas também foram responsabilizadas por corrupção ativa e lavagem de dinheiro. Ainda conforme as investigações, os policiais fugiram de delegacias em diversos momentos, deixando para trás 49 celulares, o que reforça a tentativa de descaracterizar ou esconder suas ações ilegais. Segundo fontes, a denúncia também solicita à Justiça a fixação de um valor mínimo de R$ 2,3 milhões por danos morais coletivos, além da possível perda do cargo público dos envolvidos.
A operação teve como foco não apenas o combate ao esquema de propina, mas também à lavagem de dinheiro relacionada às atividades ilícitas, que envolviam cargas de eletrônicos valiosas, oriundas do mercado ilegal externo. Ainda não há confirmação oficial se algum policial foi preso ou se as ações continuam em andamento, pois o clube não se pronunciou oficialmente até o momento. Este caso evidencia o nível de corrupção que, segundo o MP, infelizmente, atinge até mesmo os órgãos encarregados de garantir a segurança e a ordem pública na maior cidade do país, levantando uma questão importante sobre a integridade das instituições no combate ao crime organizado envolvendo o contrabando de eletrônicos.
O que sabemos?
- Cinco policiais civis foram denunciados por esquema de propina.
- A denúncia veio do Ministério Público de São Paulo em setembro.
- Esquema envolvia interceptações e cobrança de até 70% do valor das cargas.
- Operação Merx ocorreu em agosto e resultou na prisão preventiva de cinco pessoas.
- Carga criminosamente adquirida em países fronteiriços, principalmente Paraguai.
Fontes
- G1 imprensa
- CNN Brasil imprensa





