Nepal dá início a enterros coletivos após avalanche que matou mais de 900 pessoas no Himalaia
Tragédia recente expõe vulnerabilidade da região do Himalaia frente às mudanças climáticas, segundo autoridades locais
O Nepal iniciou os sepultamentos coletivos das vítimas da avalanche que devastou áreas próximas à fronteira com o Tibete. São 919 mortos confirmados e quase 5 mil desaparecidos entre os dois países, com equipes de resgate ainda tentando salvar sobreviventes presos em escombros.
O governo do Nepal deu início nesta segunda-feira (31) aos enterros coletivos das vítimas da violenta avalanche que atingiu a região do Himalaia e provocou uma onda de gelo, pedras e detritos, deixando um cenário de destruição e milhares de desaparecidos. Segundo dados oficiais, o número de mortos já soma 919, sendo 903 no Nepal e 16 na China. A tragédia ainda mantém 4.793 pessoas desaparecidas, entre turistas, peregrinos e trabalhadores, nas duas nações, com enorme apreensão de familiares que lotam centros de resgate e hospitais em busca de informações.
A região afetada fica próxima à fronteira nepalense com a China, mais especificamente na área autônoma do Tibete, onde está localizado o Monte Kailash, um ponto sagrado para peregrinos que cruzavam o local quando a avalanche ocorreu. Entre os desaparecidos, 933 são trabalhadores de usinas hidrelétricas que atuavam na região. No domingo (30), soldados e engenheiros do Exército do Nepal perfuraram os escombros do vale do rio Himalaia para alcançar um túnel onde seis empregados ficaram presos após o desastre. Um tubo foi inserido no túnel para facilitar o resgate.
Surendra Dowluri, um trabalhador de 33 anos natural do estado indiano de Andhra Pradesh, relatou à AFP as condições do desastre após ser resgatado, quatro dias depois dos fatos: "Ouvimos um som muito forte... e vimos que o andar da turbina estava submerso em lama. Seis trabalhadores ficaram presos ali. Conseguimos resgatar cinco deles, mas uma pessoa morreu".
Além da dimensão humana, o primeiro-ministro do Nepal, Balendra Shah, destacou que a avalanche e as inundações associadas são "um dos maiores desastres desta região" e expressam a crescente vulnerabilidade do Himalaia às mudanças climáticas. Em comunicado nesta segunda, Shah afirmou que "a cheia do rio Bhotekoshi, na região de Rasuwa, não foi uma inundação comum, mas desencadeada por uma avalanche glacial que envolveu gelo e rochas", o que, segundo ele, demonstra um aumento dos riscos ambientais ligados ao aquecimento do planeta na região.
O Himalaia, lar de milhares de geleiras, está passando por um rápido aquecimento que causa o derretimento e a instabilidade dessas massas de gelo, tornando as áreas montanhosas e seus rios mais sujeitos a desastres naturais. O Nepal, apesar de ser responsável por menos de 0,1% das emissões globais de gases de efeito estufa, assumiu posição de liderança emergente na agenda climática, planejando levar à comunidade internacional a questão dos impactos na região.
Nos hospitais e necrotérios improvisados do Nepal, familiares enfrentam o difícil processo de identificação dos corpos desaparecidos, enquanto as equipes de salvamento continuam em operação para encontrar sobreviventes entre os escombros deixados pelo desastre, que ocorreu no contexto de fortes chuvas e aumento da vazão dos rios.
O que sabemos?
- A avalanche no Himalaia causou pelo menos 919 mortes e quase 5 mil desaparecidos entre Nepal e China.
- O Nepal iniciou enterros coletivos das vítimas e prossegue com operações de resgate, inclusive de trabalhadores presos em túnel.
- O primeiro-ministro do Nepal apontou a tragédia como consequência da vulnerabilidade crescente da região às mudanças climáticas.
- O Himalaia sofre rápido aquecimento e derretimento de geleiras, ampliando riscos de desastres naturais.
Fontes
- G1 imprensa
- CNN Brasil imprensa





