EUA anunciam maior acordo petrolífero da história com Venezuela em meio a polêmica
Donald Trump e Delcy Rodríguez confirmam acordo bilionário que concede controle majoritário dos EUA sobre reservas venezuelanas
Anunciado em 28 de agosto, acordo envolvendo mais de 65 bilhões de barris de petróleo e investimentos superiores a US$ 100 bilhões gera críticas internas e dúvidas sobre impactos políticos.
Na sexta-feira, 28 de agosto, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou por meio da rede social Truth Social a assinatura do que chamou de "o maior acordo de petróleo da história" com a Venezuela. Segundo Trump, os EUA teriam obtido "o controle majoritário" sobre mais de 65 bilhões de barris de reservas comprovadas de petróleo venezuelano, sem nenhum custo para o contribuinte americano.
A informação foi posteriormente confirmada pela então vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, que enfatizou os benefícios financeiros para o país sul-americano. De acordo com Rodríguez, o acordo viabilizará investimentos superiores a US$ 100 bilhões (equivalentes a cerca de R$ 520 bilhões) e gerará uma receita tributária para o Estado venezuelano da ordem de US$ 209 bilhões, ou aproximadamente R$ 1,08 trilhão.
O anúncio encerra um ciclo recente de tensões entre os dois países. Nos 12 meses anteriores, Trump havia adotado medidas duras contra a Venezuela, incluindo um bloqueio marítimo, uma operação militar para deter Nicolás Maduro e o reconhecimento da então vice-presidente Delcy Rodríguez como governante interina, em um movimento que fugiu da habitual promoção de uma transição democrática, segundo análise de especialistas.
Imediatamente após a divulgação do acordo, surgiram críticas na sociedade venezuelana e entre opositores do governo. O economista e professor da Escola de Governo Kennedy da Universidade Harvard, Ricardo Haussmann, reconhecido opositor do regime vigente, manifestou-se por meio de uma mensagem dirigida ao secretário de Estado americano Marco Rubio, um dos principais articuladores do acordo. Haussmann acusou os EUA de "usar o poder dos Estados Unidos não para libertar os venezuelanos, mas para se aliar aos nossos opressores".
O acordo, por sua grandiosidade e o contexto político tenso, revela as complexas relações entre Washington e Caracas. Enquanto representa uma movimentação estratégica importante para a indústria petrolífera norte-americana, ele também gera dúvidas quanto a seus efeitos sobre a soberania venezuelana e a situação política do país, que já vive uma crise prolongada. O impacto prático dessas medidas para a população venezuelana e para a geopolítica regional ainda será acompanhado de perto nos próximos meses.
O que sabemos?
- O acordo foi anunciado em 28 de agosto pelo presidente Donald Trump.
- Os EUA obterão controle majoritário sobre mais de 65 bilhões de barris de petróleo venezuelano.
- Delcy Rodríguez confirmou investimentos de US$ 100 bilhões e receita tributária de US$ 209 bilhões para a Venezuela.
- Críticas vieram do economista venezuelano Ricardo Haussmann, opositor do governo atual.
Fontes
- G1 imprensa





