Fósseis de Diplodocus são encontrados na Espanha e revelam antigas conexões terrestres
Descoberta na Europa amplia conhecimento sobre a distribuição dos gigantes do Jurássico
Fósseis de Diplodocus, um dos maiores saurópodes, foram encontrados na Espanha, indicando que esses dinossauros não eram exclusivos da América do Norte. A descoberta sugere que pontes terrestres ligavam continentes há cerca de 150 milhões de anos.
Uma descoberta inédita na Europa chamou a atenção do mundo paleontológico ao revelar fósseis do dinossauro Diplodocus, um saurópode gigante conhecido por seu pescoço extraordinariamente longo e por sua presença habitual na América do Norte. Segundo um estudo divulgado na terça-feira, 15 de setembro, no Journal of Vertebrate Paleontology, os fósseis foram encontrados no sítio de La Tejería, próximo ao vilarejo de El Castellar, na Espanha, e datam de aproximadamente 150 milhões de anos, durante o período Jurássico Superior.
Antes dessa descoberta, os registros fósseis de Diplodocus estavam restritos à Formação Morrison, na região oeste dos Estados Unidos. A preservação de 14 vértebras da cauda do esqueleto e de outros chevrons (ossos ligados à cauda) permitiu que os paleontólogos confirmassem a identificação do animal. Segundo o coautor do estudo, Alberto Cobos, diretor-geral da Fundação Dinópolis, a descoberta foi baseada na análise de aspectos anatômicos específicos, como sulcos profundos na parte inferior dos ossos caudais e cavidades que indicam a presença de sacos aéreos.
O espécime espanhol tinha cerca de 25 metros de comprimento, tamanho semelhante ao dos fósseis norte-americanos. Essa dimensão reforça a hipótese de que o ser vivo era um dos saurópodes gigantes do período Jurássico, ampliando o mapa de distribuição geográfica dessa espécie. O pesquisador Sergio Sánchez Fenollosa, doutorando na Fundação Conjunta de Paleontologia Teruel-Dinópolis, destacou a importância desse achado para o entendimento da história da Terra. “Estes estudos ajudam a reconstruir ecossistemas antigos e a compreender como os continentes e suas espécies mudaram ao longo do tempo”, afirmou.
A descoberta também fornece pistas sobre a geologia da época. Segundo os especialistas, a presença de fósseis de Diplodocus na Península Ibérica reforça a hipótese de que pontes terrestres temporárias conectavam a América do Norte e a Europa durante a fragmentação do supercontinente Pangeia, que teve início entre 195 e 170 milhões de anos atrás. Naquela fase, o Oceano Atlântico ainda não tinha se aberto completamente, o que facilitaria a travessia de animais terrestres por rotas que ligavam regiões hoje separadas por vastos oceanos.
O estudo ainda aguarda confirmação oficial de outros especialistas, mas a descoberta já amplia as fronteiras do conhecimento paleontológico e abre novas possibilidades para compreender a dispersão de espécies pré-históricas na era dos dinossauros. Ainda não se sabe qual espécie exata de Diplodocus foi encontrada, mas o tamanho e as características anatômicas indicam um vínculo claro com os exemplares conhecidos por fósseis norte-americanos.
O que sabemos?
- Fósseis do dinossauro Diplodocus foram encontrados na Espanha pela primeira vez.
- O espécime tem aproximadamente 25 metros de comprimento.
- Data de aproximadamente 150 milhões de anos, período Jurássico Superior.
- A descoberta sugere antigas conexões terrestres entre América do Norte e Europa.
- A confirmação oficial ainda depende de análises adicionais.
Fontes
- Aventuras na História fonte especializada




