Análise de DNA revela transformação na população da Europa após o fim do Império Romano
Estudo aponta mudanças na composição genética de povos na região da atual Hungria entre os séculos III e VI
Um estudo internacional, divulgado pelo Daily Mail, utilizou análise de DNA de restos mortais para compreender as mudanças na população da Europa após a queda do Império Romano. A pesquisa indica uma gradual transformação influenciada, possivelmente, pela chegada dos lombardos.
Segundo uma análise de DNA divulgada recentemente pelo Daily Mail, a transformação na composição populacional da Europa após o colapso do Império Romano foi mais complexa do que se imaginava. O estudo, baseado em material genético de restos mortais de 314 pessoas que viveram entre os séculos III e VI na Pequena Planície Húngara, no noroeste da atual Hungria, revelou mudanças significativas na ancestralidade das populações locais ao longo desse período. Os restos foram encontrados em sete cemitérios, com amostras entre 1,4 mil e 1,8 mil anos de idade, sendo que 68 indivíduos estavam enterrados em contextos ligados ao domínio romano, enquanto os demais, 246, datam de períodos posteriores à queda do império. Segundo os pesquisadores, durante o domínio romano, a maioria dessas pessoas tinha ancestralidade ligada ao sul da Europa, embora também fosse possível identificar ligações genéticas com populações da Ásia e da África, refletindo a circulação de povos dentro do vasto território sob controle romano. Com o enfraquecimento da autoridade imperial, porém, houve uma mudança expressiva na composição genética, com aumento de ancestralidade do norte europeu nos indivíduos posteriores. Ainda de acordo com os especialistas, essa alteração provavelmente está relacionada à chegada dos lombardos, um grupo que avançou para as terras ao norte do Danúbio, uma região anteriormente sob forte influência romana. Os dados indicam que essa transição não ocorreu de forma repentina, mas gradual, com diferentes famílias migrando para a região ao longo de anos, estabelecendo-se e convivendo com os habitantes locais que já ali viviam. Além disso, a presença de grupos familiares em alguns cemitérios revela a formação de clãs com vínculos de parentesco próximos. Essa estrutura, apontam os pesquisadores, teria contribuído para a consolidação de poder e status entre certos grupos, ajudando a estabelecer conexões entre comunidades distintas e a moldar uma nova estrutura política lombarda na região. A mudança na composição genética, portanto, evidencia uma transformação social e populacional mais complexa do que a simples ideia de invasão repentina, sugerindo um processo de convivência e assimilação ao longo de várias décadas.
O que sabemos?
- Análise de DNA de restos mortais revela mudanças na população na Europa após o Império Romano.
- Amostras de 314 indivíduos mostram aumento de ancestralidade do norte europeu após o declínio do império.
- Mudanças indicam uma trajetória gradual, possivelmente ligada à chegada dos lombardos na região.
- Estudo combina genética, arqueologia, história e antropologia para entender a transformação populacional.
Fontes
- Aventuras na História fonte especializada



