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Descoberta inédita de fósseis de Denisovanos na China fornece novas pistas sobre nossos parentes extintos

Em apuração ?

Fósseis, ferramentas e restos de animais revelam detalhes da vida dos antigos hominíneos na região de Yunnan

Imagem: Smithsonian Magazine

Pesquisadores encontraram restos de Denisovanos na China, incluindo o primeiro fragmento de osso do antebraço. As descobertas ampliam o entendimento sobre esses parentes evolutivos e seu modo de vida.

Uma descoberta surpreendente na China poderá mudar a maneira como os cientistas entendem os Denisovanos, um dos nossos parentes ancestrais que viveram na Ásia há dezenas de milhares de anos. Segundo estudo divulgado em 9 de setembro na revista Nature, pesquisadores encontraram uma variedade de fósseis, ferramentas de pedra e vestígios de animais usados por esses hominíneos na caverna de Bianfu, localizada na província de Yunnan.

Entre os achados estão fragmentos de crânios, dentes e uma peça de osso do antebraço — esta, a primeira de um Denisovano já descoberta. Os fósseis são estimados entre 134.000 e 167.000 anos de idade, e esses restos pertencem a pelo menos quatro indivíduos. Segundo Hao Li, arqueólogo da Academia Chinesa de Ciências, a equipe trabalhou com uma enorme quantidade de fragmentos de ossos, mais de 60 mil, buscando identificar quais poderiam ser de hominíneos e, posteriormente, usando técnicas de análise proteica, conseguiram determinar que alguns eram mesmo de Denisovanos.

O estudo revela que os Denisovanos eram habitantes frequentes na região por um longo período, talvez usando a caverna como abrigo por dezenas de milhares de anos. Ainda que seu DNA não tenha sido preservado, devido às condições ambientais da caverna, as proteínas presentes nos ossos forneceram informações importantes. Duas das peças — um crânio e uma parte de antebraço — mostram que esses hominíneos apresentam características físicas que remetem a uma combinação de traços de Neandertais e humanos modernos, embora o braço, em particular, sugira uma capacidade para manipulação precisa e leve.

O especialista em paleoantropologia, Antonio Rosas, que não participou do estudo, celebrou a descoberta como um avanço importante, reforçando que as novas evidências ajudam a esclarecer dúvidas sobre a anatomia e o modo de vida dos Denisovanos, um grupo até então pouco compreendido devido à escassez de fósseis. Ainda há muito a aprender, já que o trabalho ainda aguarda confirmação de alguns detalhes, e o próprio clube de pesquisa não se pronunciou oficialmente sobre a totalidade dos achados.

Outro aspecto que chama atenção é o fato de esses hominíneos conviverem com os Neandertais e Homo sapiens, tendo possivelmente trocado genes com eles no passado, o que reforça a ideia de interações complexas entre diferentes linhagens humanas na pré-história da Ásia. Apesar de o DNA dos fósseis ter se deteriorado, as pesquisas continuam buscando novas informações sobre essas relações e seu impacto evolutivo.

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O que sabemos?

  • Fósseis, ferramentas e restos de animais de Denisovanos foram encontrados na China.
  • Primeiro fragmento de osso do antebraço de Denisovano foi descoberto.
  • Fósseis datam de entre 134.000 e 167.000 anos atrás.
  • A descoberta amplia o conhecimento sobre a anatomia e hábitos desses hominíneos.
  • Pesquisadores usaram análise proteica devido à deterioração do DNA dos fósseis.

Fontes

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