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Deslizamento no Nepal e Tibete deixa 919 mortos e quase 5 mil desaparecidos

Em apuração ?

Fenômeno na fronteira entre Nepal e China expõe efeitos do aquecimento global nas geleiras do Himalaia

Área atingida pelo deslizamento de lama na fronteira Nepal-China, com equipes de resgate operando no local
Imagem: Folha de S.Paulo

Um deslizamento de lama ocorrido na quarta-feira (26) numa área próxima à fronteira entre Nepal e China provocou 919 mortes confirmadas e cerca de 4.793 pessoas desaparecidas, segundo autoridades locais e a mídia estatal chinesa. Cientistas apontam influência do aquecimento global no colapso da geleira que causou o desastre.

Na quarta-feira, 26 de junho, um forte deslizamento de lama atingiu uma região próxima à fronteira entre Nepal e China, no planalto tibetano, causando uma das maiores tragédias naturais recentes na região. Segundo a autoridade nepalesa responsável pela gestão de emergências, foram registradas 903 mortes e 4.247 pessoas continuam desaparecidas no Nepal. A imprensa estatal chinesa confirmou a morte de 16 pessoas no Tibete e o desaparecimento de mais 546, elevando para 919 o total de óbitos e 4.793 o número de desaparecidos.

A mídia chinesa informou que a enchente foi provocada pela instabilidade das geleiras, fenômeno atribuído aos efeitos de longo prazo do aquecimento global. Trata-se de uma "nova e relevante característica dos desastres da criosfera" – termo que designa as partes da Terra onde a água está solidificada, como geleiras e calotas de gelo –, especialmente no planalto tibetano, uma região sensível às mudanças climáticas.

De acordo com a CCTV, canal estatal chinês, o deslizamento de lama que teve origem no lado nepalês levou entre seis e sete minutos para chegar ao posto de fronteira de Gyirong, um ponto estratégico entre os dois países. Inicialmente, cogitou-se a hipótese de que um terremoto de magnitude 4,4 teria provocado o desastre, mas o Serviço Geológico dos Estados Unidos esclareceu que o tremor sentido foi, na verdade, consequência da energia liberada pelo desmoronamento.

Cientistas envolvidos nas investigações alertaram, porém, que a mudança climática não pode ser apontada como causa imediata única do colapso da geleira. Segundo eles, o aumento das temperaturas médias e o consequente derretimento do gelo possivelmente contribuíram para a instabilidade que desencadeou o desastre, mas que outros fatores locais também devem ser considerados.

O ocorrido expõe a vulnerabilidade crescente das regiões de alta montanha às mudanças climáticas globais e ressalta a necessidade de monitoramento rigoroso das geleiras, principalmente em locais de convergência geopolítica como a fronteira entre Nepal e Tibete. A tragédia deixa um rastro de perdas humanas e levanta questões sobre a prevenção e resposta a eventos naturais extremos potencializados pelo aquecimento do planeta.

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O que sabemos?

  • O deslizamento ocorreu em 26 de junho na fronteira entre Nepal e China.
  • Foram confirmadas 919 mortes, sendo 903 no Nepal e 16 na região tibetana da China.
  • 4.793 pessoas estão desaparecidas após o desastre.
  • O fenômeno foi causado pela instabilidade das geleiras devido ao aquecimento global, segundo a mídia chinesa.

Fontes

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