Movimento da ultradireita na Europa intensifica sua presença e provoca debates políticos
Crescimento de partidos extremistas releva dificuldades na política tradicional e novos desafios na União Europeia
A ascensão de partidos ultradireita na Europa deixa marcas no cenário político do continente, revelando uma disputa ideológica marcada por discursos antissistêmicos, rechaço à imigração e à agenda ambiental. Ainda que não haja confirmações de algum pacto formal, a movimentação política chama atenção pelo potencial de transformação.
Nos últimos dias, imagens e declarações de líderes da ultradireita europeia têm chamado atenção ao redor do mundo. Uma delas mostra, segundo fontes, um cartaz semelhante ao que Donald Trump exibiu ao anunciar suas tarifas, mas na Europa. Em Birmingham, no Reino Unido, dois políticos de direita, Nigel Farage e Jordan Bardella, foram fotografados segurando essa peça, que, ao contrário da mensagem protecionista do ex-presidente americano, mostrava um "acordo histórico entre dois países para interromper a imigração ilegal". Essa movimentação, ainda não oficialmente confirmada como um pacto, evidencia uma estratégia de visibilidade que visa fortalecer a presença da ultradireita, mesmo que ainda não ocupem cargos governamentais de relevância.
Segundo fontes ouvidas, a proposta que acompanhava o cartaz indicava que barcos britânicos que capturassem imigrantes no Canal da Mancha poderiam atracar na França, onde os migrantes seriam presos e deportados. Ainda não há confirmação oficial de que alguma negociação do tipo tenha sido levada adiante, mas a simbologia das imagens reforça o discurso antiimigratório, bastante explorado por partidos de direita radical na Europa. Além disso, a vitória do partido de direita na eleição na Saxônia-Anhalt, na Alemanha, foi considerada por estudiosos como um sinal de avanço do extremismo no continente, que pode refletir em novas vitórias eleitorais em países vizinhos.
Especialistas apontam que a ultradireita na Europa se apoia em uma rede de partidos de diferentes países, que compartilham discursos antiestablishment, contra a União Europeia e favoráveis a temas como rechaço à imigração e ao ambientalismo climático. Segundo analistas, esse fenômeno é antigo, com raízes que remontam aos anos 1950 na Alemanha, onde o neonazismo permaneceu vivo ao longo do tempo. Na França, o partido Frente Nacional, fundado por Jean-Marie Le Pen há mais de cinquenta anos, mantém sua influência e é apontado como um possível adversário na corrida presidencial de 2027, com a líder Marine Le Pen cada vez mais próxima de consolidar um projeto de poder.
Apesar de a estratégia de Marine Le Pen de “desdiabolizar” sua imagem e moderar posições mais radicais, ainda há um debate interno sobre até que ponto é possível manter a base de apoio e, ao mesmo tempo, parecer menos extremista. Recentemente, ela lançou a ideia de um referendo nacional sobre imigração, movimento que reaviva uma postura mais radical, segundo apontam análises. O cenário político francês, portanto, permanece de alta tensão, com a possibilidade de o país caminhar para uma disputa acirrada entre a esquerda, a direita tradicional e a ultradireita, que ganha força de forma crescente na Europa.
Este momento deve ser acompanhado de perto, pois as mesmas forças que tentam ampliar sua influência no Parlamento de vários países europeus podem, no futuro próximo, mudar o mapa político e reconfigurar alianças internacionais. Ainda não há confirmações de que esses movimentos tenham se consolidado em acordos oficiais ou planos concretos, mas a simbologia e os resultados eleitorais indicam uma preocupação crescente entre analistas e partidos tradicionais, que enxergam na ultradireita uma força capaz de transformar o cenário político europeu. Assim, o que se observa é uma tentativa de compreensão sobre esse fenômeno, que combina o desejo por mudanças rápidas e uma retórica de rejeição às instituições atuais.
O que sabemos?
- Líderes Nigel Farage e Jordan Bardella foram fotografados segurando cartaz similar ao de Trump, com mensagem contrária às tarifas e a favor de interromper a imigração.
- Imagem ocorreu em Birmingham, Reino Unido, dias atrás.
- Proposta de barcos britânicos que capturarem imigrantes no Canal da Mancha atraque na França para prisão e deportação, ainda não confirmada oficialmente.
- Vitórias de partidos de direita na Europa, como na eleição na Saxônia-Anhalt, na Alemanha, indicam avanço do extremismo.
- A ultradireita na Europa utiliza uma rede de partidos e discursos antigovernamentais, anti-UE, anti-imigração e antiambientalismo, com raízes históricas que remontam aos anos 1950.
Fontes
- Folha de S.Paulo imprensa





