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Agosto iguala recorde de mês mais quente da história, segundo análise europeia

Em apuração ?

Média global de temperatura atingiu patamar alarmante, e especialistas alertam para agravamento das mudanças climáticas

Gráfico mostrando aumento de temperaturas globais em 2023
Imagem: Folha de S.Paulo

Dados indicam que agosto de 2023 foi um dos meses mais quentes já registrados, com temperaturas recordes em diversas regiões do mundo, refletindo o impacto das mudanças climáticas e do fenômeno El Niño.

De acordo com o serviço europeu Copernicus, que monitora as alterações climáticas globais, agosto de 2023 igualou julho como o mês mais quente da história recente. A média global de temperatura no mês passado chegou a 16,96°C, marcando uma elevação que preocupa especialistas de todo o mundo. Esses dados, ainda não totalmente confirmados por outras fontes, indicam que o planeta continua aquecendo de forma alarmante, com eventos extremos se tornando cada vez mais comuns.

Segundo o relatório divulgado por Copernicus, este foi o primeiro mês desde novembro do ano passado em que o aumento da temperatura global superou a marca de 1,5°C acima do período pré-industrial, limite estabelecido pelo Acordo de Paris. A elevação atingiu 1,65°C, um sinal claro de que o clima do planeta está se aproximando de níveis considerados perigosos pelos cientistas. Ainda não há confirmação de que todos os estudos tenham aferido esse valor, mas a tendência é de agravamento, com projeções indicando que o cenário se tornará ainda mais crítico.

Samantha Burgess, coordenadora do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo (ECMWF), destacou a relevância desses registros. Ela afirmou que agosto foi um mês "notável para os registros climáticos" e que as temperaturas recordes na superfície dos oceanos e o verão mais quente já registrado na Europa mostram como as mudanças climáticas estão provocando fenômenos extremos tanto na atmosfera quanto nos oceanos. Segundo ela, o aumento do calor nos oceanos, que atingiu uma média de 21,07°C, igualando o recorde de março de 2024, é um alerta importante, especialmente diante do fenômeno El Niño, que se fortalece no Pacífico tropical e tende a intensificar as alterações climáticas.

Regiões como França, Espanha, Itália, Reino Unido e Estados Unidos experimentaram seus verões mais quentes desde registros históricos, com períodos de ondas de calor que superaram anos anteriores. Por exemplo, na Espanha, o país enfrentou 61 dias de ondas de calor — quase o dobro dos 41 dias registrados em 2022 — com uma temperatura média de 24,5°C, o que representa 2,4°C acima do padrão de referência (1991-2020). Na Itália, as temperaturas máximas atingiram 24,3°C, o maior valor em 75 anos. Essas condições extremas, além de prejudicarem a saúde e a agricultura, reforçam a urgência de ações globais para reduzir emissões de gases de efeito estufa, aspecto que ainda não é totalmente confirmado, mas que especialistas consideram imprescindível.

O aumento da temperatura dos oceanos, que também estabeleceu recorde de média mensal, ocorre em um momento de aquecimento generalizado na parte tropical do Pacífico, uma área ligada ao fenômeno El Niño. Ainda que essa oscilação natural seja rotineira, pesquisadores explicam que o efeito da mudança climática potencializa sua intensidade e impacto, incluindo secas e inundações, que devem afetar diversas regiões do planeta. Essas previsões destacam a necessidade de preparação e políticas emergenciais para lidar com eventos extremos, cuja frequência e intensidade devem subir nos próximos anos.

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O que sabemos?

  • Agosto de 2023 iguala julho como mês mais quente da história, segundo Copernicus.
  • Média global de temperatura em agosto foi 16,96°C.
  • Este foi o primeiro mês desde novembro do ano passado que o aquecimento global superou 1,5°C acima do período pré-industrial.
  • A elevação registrada foi de 1,65°C, indicando risco crescente.
  • O fenômeno El Niño está se fortalecendo, influenciando o aumento das temperaturas e eventos extremos.

Fontes

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