Venda de brinquedos no Dia das Crianças é afetada por endividamento e novos hábitos de consumo
Apesar da redução de preços, famílias enfrentam dificuldades financeiras para realizar compras comemorativas
Os preços de brinquedos, roupas e calçados infantis ficaram mais baratos nos últimos 12 meses, mas o aumento do endividamento das famílias e a retração na renda dificultam as compras no Dia das Crianças. Especialistas apontam que a combinação de fatores econômicos tem impacto direto nas festividades de 2023.
Embora os preços de brinquedos, roupas e calçados infantis tenham apresentado uma leve queda nos últimos 12 meses, a venda de presentes para o Dia das Crianças, comemorado na segunda-feira (12), continua abaixo do esperado, segundo fontes do setor. A redução do valor nesses itens varia de 0,40% a 3,21%, com destaque para o recuo dos calçados infantis, que caiu 3,21%, e das bonecas, que tiveram uma baixa de 0,51%. No entanto, especialistas alertam que o menor preço, por si só, não garante o aumento nas vendas, especialmente neste ano. Segundo o economista André Braz, do FGV Ibre, os presentes tradicionais, como brinquedos, ficaram mais acessíveis, o que é uma mudança favorável ao consumidor. Por outro lado, outro especialista, Ulisses Ruiz de Gamboa, da Associação Comercial de São Paulo, afirma que a questão principal não é o preço, mas a renda disponível das famílias, que está mais apertada. “Pode estar mais barato, mas a questão é a disponibilidade de renda. Tá todo mundo endividado”, declarou Gamboa. Ainda de acordo com a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada pela Confederação Nacional do Comércio (CNC), o comprometimento médio da renda com dívidas subiu para 29,6% em setembro, ante 29,3% em agosto, indicando maior dificuldade de consumo. Essa combinação de fatores econômicos explica por que o comércio de brinquedos e artigos infantis não aqueceu como esperado nesta data especial, mesmo com preços mais atrativos. A situação reforça uma conjuntura em que, mesmo com menores custos, o endividamento e a diminuição da renda pesam sobre as decisões de compra das famílias, dificultando o estímulo ao setor de brinquedos e artigos para crianças neste momento. Ainda não há confirmação oficial de ações específicas do setor em resposta a esse cenário, mas a expectativa é de que o mercado continue atento às condições econômicas que influenciam o consumo durante o restante do ano.
O que sabemos?
- Brinquedos e artigos infantis ficaram mais baratos nos últimos 12 meses.
- Redução de preços varia de 0,40% a 3,21%.
- Endividamento das famílias aumentou para 29,6% em setembro.
- Venda de presentes não aqueceu devido à crise econômica.
- Inflação geral foi de 3,94% no período.
Fontes
- UOL Notícias imprensa
- Folha de S.Paulo imprensa





