Economia

Entenda o impacto do tarifaço de Trump nas relações comerciais com o Brasil

Em apuração ?

Especialista aponta motivações eleitorais e riscos para a indústria americana

Brasil e Estados Unidos retomam negociações sobre sobretaxas impostas a produtos brasileiros. Economista avalia que tarifaço visa fortalecer indústrias norte-americanas para conquistar eleitorados específicos, mas contraria tradição republicana e pode prejudicar popularidade do presidente.

As negociações virtuais entre Brasil e Estados Unidos sobre as sobretaxas comerciais impostas aos produtos brasileiros voltarão a acontecer nesta segunda-feira (31), em meio a um cenário complexo e carregado de interesses políticos. Segundo o economista e professor do Ibmec José Niemeyer, entrevistado pelo CNN AGORA, o chamado "tarifaço" de Trump é uma medida equivocada e motivada principalmente por razões eleitorais.

De acordo com Niemeyer, o segundo tarifaço, que afeta sobretudo produtos semi-manufaturados e insumos industriais brasileiros, tem como principal objetivo reativar indústrias norte-americanas e, consequentemente, garantir votos de trabalhadores industriais. "Trump quer melhorar o desenho desta indústria norte-americana para angariar votos, porque são funcionários, é um tipo de operariado que vota em Trump", afirmou o economista. Ele explicou que a estratégia é "uma maneira de conseguir atingir eleitorados específicos dentro dos Estados Unidos na área de produção industrial".

O especialista também destacou a incoerência da política tarifária adotada por Trump em relação à história do Partido Republicano. "A agenda republicana sempre privilegiou o comércio multilateral, essa é uma visão liberal de comércio que faz parte da agenda republicana", disse Niemeyer, que classificou o presidente como "nacionalista ao extremo". Para ele, a intenção de Trump de transformar os Estados Unidos em uma autarquia que produza todos os bens e serviços de que necessita não é viável e já demonstrou ineficácia.

Niemeyer ressaltou ainda a recente liberação de cotas para importação de carne bovina brasileira destinada à fabricação de hambúrgueres nos Estados Unidos como um exemplo das dificuldades da política protecionista. "O norte-americano consome muito hambúrguer no seu dia a dia. Deixar de consumir ou ficar caro a partir da produção de carne do pecuarista norte-americano vai fazer com que a popularidade de Trump diminua mais ainda", avaliou. Ele acrescentou que a aprovação do presidente estaria atualmente entre 30% a 35% e que essa taxa poderia cair ainda mais devido às consequências dessas medidas.

Essas declarações colocam em evidência o impacto das disputas tarifárias não apenas na economia bilateral, mas também na política interna dos Estados Unidos, que busca equilibrar interesses produtivos e eleitorais. Para o Brasil, embarcado em negociações intensas, o desfecho desses diálogos poderá significar ajustes comerciais importantes para o setor industrial e exportador.

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O que sabemos?

  • Brasil e Estados Unidos retomam negociações virtuais sobre sobretaxas comerciais nesta segunda-feira (31).
  • Segundo José Niemeyer, o tarifaço de Trump atinge principalmente produtos semi-manufaturados e insumos industriais brasileiros.
  • Niemeyer avalia que a medida tem motivações eleitorais para favorecer indústria norte-americana e garantir votos.
  • O economista cita que a política tarifária de Trump contraria a tradição liberal do Partido Republicano e pode prejudicar sua popularidade.

O que ainda não foi confirmado?

  • Informação sobre o tarifaço foi divulgada apenas pela CNN Brasil, sem confirmação por outras fontes.

Fontes

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