Falhas de fornecedores podem travar R$ 57 bilhões em créditos do novo imposto no Brasil
Estudo aponta riscos operacionais na transição para o modelo de IVA dual em 2025
Um levantamento realizado pela empresa Roit revela que inconsistências cadastrais e erros na emissão de notas fiscais por pequenos e médios fornecedores podem bloquear bilhões em créditos fiscais para grandes companhias logo no início da implantação da nova reforma tributária.
A transição para o modelo de Imposto sobre Valor Agregado (IVA) dual, prevista para começar em 2025, enfrenta um desafio inesperado que pode impactar diretamente as finanças das grandes indústrias e redes varejistas brasileiras. Segundo um estudo elaborado pela Roit, empresa especializada em tecnologia para gestão tributária, falhas de fornecedores — especialmente pequenos e médios — podem bloquear R$ 57,4 bilhões em créditos fiscais no primeiro ano da vigência das novas regras.
A análise da Roit utilizou uma base de dados que abrange 295 mil empresas, responsáveis por aproximadamente 6,5% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional. O estudo destaca que inconsistências cadastrais e erros na emissão da Nota Fiscal Eletrônica (NF-e) representariam um gargalo operacional na estrutura de validação do IVA. Isso porque, caso haja falhas no enquadramento fiscal ou preenchimento incorreto dos campos obrigatórios da NF-e, o sistema automaticamente impede que o crédito do imposto seja apropriado pela empresa compradora, resultando em bloqueios, encaminhamentos para a malha fina ou disputas judiciais.
O novo modelo tributário prevê a substituição gradual dos atuais tributos pela Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e pelo Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), que juntos formarão o IVA dual. Esse mecanismo buscará simplificar e unificar a tributação sobre o consumo, mas também exigirá maior rigor e precisão no controle fiscal, especialmente por parte dos fornecedores que, até então, estavam menos expostos a essas demandas operacionais.
Alex Sabino, editor interino da área econômica da Folha de S.Paulo, que divulgou o estudo, reforça que a dependência das grandes companhias em relação à regularidade dos documentos fiscais emitidos por terceiros será um ponto crítico. “Se um fornecedor comete falhas no enquadramento fiscal ou na alimentação dos campos obrigatórios da NF-e, o sistema bloqueia no mesmo momento o abatimento do imposto na ponta do comprador”, explicou Sabino, ressaltando os riscos de congelamento dos créditos fiscais.
Com o bloqueio de mais de R$ 57 bilhões, as empresas afetadas podem enfrentar consequências financeiras significativas logo no início da implementação da reforma tributária. Além disso, o estudo alerta para a necessidade de investimentos em tecnologia e na qualificação dos pequenos e médios fornecedores para que estejam aptos a cumprir com as novas exigências da NF-e. Sem essa adaptação, o governo federal e as empresas poderão lidar com enormes desafios burocráticos e financeiros no processo.
O que sabemos?
- Falhas em documentos fiscais podem bloquear R$ 57,4 bilhões em créditos do IVA no primeiro ano.
- O estudo foi feito pela Roit com base em dados de 295 mil empresas, equivalentes a 6,5% do PIB.
- O modelo de IVA dual começa a ser implementado em 2025, substituindo tributos como a CBS e o IBS.
- Erros na Nota Fiscal Eletrônica levam ao bloqueio automático do crédito tributário nas empresas compradoras.
O que ainda não foi confirmado?
- Informação divulgada apenas por Folha de S.Paulo; aguardando outras fontes.
Fontes
- Folha de S.Paulo imprensa