Pressão dos EUA faz bancos de desenvolvimento reavaliarem metas de financiamento climático
Mudanças nos objetivos de apoio à sustentabilidade podem comprometer acordo global de US$ 1,3 trilhão
Instituições multilaterais, como o Banco Interamericano de Desenvolvimento e o Banco Asiático de Desenvolvimento, avaliam eliminar metas de financiamento verde sob forte influência dos Estados Unidos, ameaçando o acordo da ONU.
Segundo fontes próximas às negociações, a pressão exercida pelos Estados Unidos tem levado bancos multilaterais de desenvolvimento a reconsiderar suas metas de financiamento climático. Entre eles, o Banco Interamericano de Desenvolvimento e o Banco Asiático de Desenvolvimento discutem a possibilidade de abandonar metas específicas de financiamento para projetos de combate às mudanças climáticas, após o Banco Mundial anunciar, em junho, que ‘aposentaria’ a meta de destinar 45% de seus financiamentos a projetos com benefícios climáticos.
De acordo com uma fonte experiente no setor de financiamento ao desenvolvimento, a situação indica uma mudança de postura nesse setor. Ainda não há confirmação oficial, mas há forte indicação de que pelo menos esses dois bancos estejam avançando nesse debate, que tem como pano de fundo a forte influência dos Estados Unidos, país que, desde o governo Trump, tem atuado para diminuir o envolvimento em ações ambientais globais. Segundo essa mesma fonte, “os bancos multilaterais de desenvolvimento estão se curvando às pressões dos EUA. Isso terá consequências enormes.”
A estratégia de pressão também se estende a países como Reino Unido e Alemanha, que, sob crescentes restrições orçamentárias e obrigações políticas, também avaliam reduzir seu apoio ao financiamento internacional voltado à sustentabilidade. Essas ações visam, segundo analistas, dificultar o auxílio às nações em desenvolvimento na transição para economias menos dependentes de combustíveis fósseis ou na adaptação aos efeitos das mudanças climáticas.
Segundo a mesma fonte, tudo isso ocorre em um momento em que o acordo da ONU, que visava disponibilizar US$ 1,3 trilhão para financiamento climático, corre risco de se fragilizar. Ainda não há confirmação oficial sobre o impacto final dessas decisões, mas analistas já alertam para o risco de um enfraquecimento importante nas ações globais de combate às mudanças do clima, com potencial desvio de recursos que poderiam ajudar países mais vulneráveis.
Especialistas destacam que a redução das metas de financiamento pode afetar programas de redução de emissões e de adaptação às mudanças de clima, prejudicando a luta mundial contra esse desafio. Ainda assim, diversas dessas medidas ainda não foram oficialmente adotadas, e o cenário permanece em discussão nas principais instituições financeiras multilaterais, que aguardam pressões políticas e econômicas para definir seus próximos passos.
O que sabemos?
- Bancos multilaterais de desenvolvimento avaliam eliminar metas de financiamento climático.
- Banco Mundial anunciou em junho que ‘aposentaria’ meta de destinar 45% a projetos verdes.
- Pressão vem dos EUA, especialmente no governo Trump.
- Reino Unido e Alemanha também podem reduzir apoio ao financiamento climático internacional.
Fontes
- UOL Notícias imprensa
- Folha de S.Paulo imprensa





