Situação fiscal da Bahia piora na gestão Jerônimo Rodrigues, mas investimentos aumentam
Analistas apontam deterioração nas contas do estado, que mantém controle da dívida e capacidade de empréstimo
A administrar a Bahia sob Jerônimo Rodrigues, as contas públicas apresentam deterioração em comparação com o governo anterior, Rui Costa, apesar do aumento nos investimentos do estado.
Segundo análise de especialistas baseada em dados oficiais, a situação fiscal da Bahia atravessou uma piora significativa na gestão do governador Jerônimo Rodrigues (PT), embora o estado continue a manter a dívida controlada e uma nota que permite contrair empréstimos com garantia da União. A avaliação foi feita a partir de indicadores orçamentários de 2019 a 2026, sob a luz de fontes governamentais e análises independentes.
Ao assumir o cargo, Jerônimo encontrou uma situação de superávit acumulado de R$ 8,48 bilhões nos quatro anos do governo de Rui Costa. No entanto, projeções indicam que, ao final de seu mandato, essa melhora pode se inverter, com o estado registrando um déficit de R$ 7,3 bilhões ao longo de todo o período. Ainda de acordo com números publicados pelo governo baiano, o superávit de 2025, de R$ 480 milhões, pode se transformar em um déficit de R$ 5,72 bilhões em 2026, último ano do governador no cargo.
Essa deterioração se reflete também no resultado primário, que mede as receitas menos as despesas, ignorando custos de juros. Enquanto Rui Costa acumulou um primário positivo de R$ 13,5 bilhões, Jerônimo pode terminar seu mandato com um déficit de R$ 3,32 bilhões, após elevar a meta de déficit de R$ 1,1 bilhão para R$ 4,2 bilhões em 2025. Essa mudança foi alvo de críticas, inclusive do Tribunal de Contas da Bahia, que chamou atenção para a importância de metas fiscais como instrumentos de planejamento e transparência.
Outro aspecto importante analisado pelos especialistas refere-se à capacidade do estado de honrar seus compromissos imediatos. Apesar de a situação financeira estar mais delicada, a Bahia ainda mantém uma disponibilidade líquida de recursos, que, após o pagamento de obrigações, fechou 2025 em R$ 900 milhões, uma forte queda em relação aos R$ 5,3 bilhões de disponibilidade ao final de 2022. Conforme a Secretaria de Fazenda, a endividamento do estado é considerado baixo, e ele mantém a capacidade de obter garantias para empréstimos junto à União.
Procurado, o secretário de Finanças da Bahia não se pronunciou devido a questões de agenda, mas a Secretaria de Fazenda reforçou que o estado se vê como um dos líderes em investimentos no país, com uso de recursos próprios e a possibilidade de contrair créditos garantidos pela União, minimizando riscos de insolvência. Ainda não há confirmação oficial sobre os valores e projeções, que ainda aguardam análises de fontes independentes e órgãos de fiscalização.
O que sabemos?
- A situação fiscal da Bahia está piorando sob Jerônimo Rodrigues, especialmente em relação ao resultado primário e ao déficit orçamentário.
- Apesar da deterioração, o estado mantém dívida controlada e capacidade de obter garantias de empréstimos na União.
- O governo projeta um déficit de R$ 7,3 bilhões ao final do mandato de Jerônimo, contra um superávit de R$ 8,48 bilhões no início.
- Projeções indicam que em 2026, o déficit pode chegar a R$ 5,72 bilhões, encerrando o mandato com dificuldades financeiras.
- A disponibilidade líquida de recursos do estado caiu de R$ 5,3 bilhões em 2022 para R$ 900 milhões em 2025.
Fontes
- Folha de S.Paulo imprensa





