PPSA avalia trocar índice de referência do gás natural para fortalecer o mercado regional
Mudança ainda não confirmada oficialment, depende do desenvolvimento econômico na América do Sul
A PPSA considera substituir o índice americano Henry Hub por uma referência sul-americana para contratos de gás natural, em busca de maior estabilidade e representatividade regional.
A PPSA (Pré-Sal Petróleo), órgão vinculado ao governo federal responsável pela gestão do petróleo e gás natural produzido na União, está avaliando uma possível mudança na forma de fixar os preços do gás natural comercializado para a indústria. Segundo informações obtidas de uma fonte da própria PPSA, essa alteração dependerá do desenvolvimento do mercado de gás na América do Sul e da disponibilidade de um indicador confiável que reflita de forma mais precisa a oferta e a demanda na região.
Atualmente, o órgão utiliza como referência o índice conhecido como Henry Hub, uma cotação americana bastante usada nos contratos de gás natural. Segundo o diretor-presidente da PPSA, Luis Fernando Paroli, a escolha por esse índice se dá por sua estabilidade em comparação ao Brent, referência internacional de petróleo, que sofre mais com oscilações provocadas por tensões geopolíticas. Ainda assim, Paroli afirmou que essa preferência pode ser revista futuramente: "Por enquanto, a gente está usando o Henry Hub. Então, possivelmente isso pode ser trocado assim que a gente tiver um indicador de confiança", declarou em entrevista à CNN Brasil.
Para que a mudança aconteça, será necessário que surja uma referência regional com maior credibilidade, uma espécie de índice sul-americano que também considere o fornecimento de gás de países como Bolívia e Argentina, que atualmente mantêm uma relação comercial com o Brasil nesse setor. A intenção é que, se essa nova referência se consolidar, ela substitua o índice americano, alinhando-se ao objetivo de fortalecer a cadeia produtiva do gás no continente.
O leilão para contratação de gás natural para o governo brasileiro será realizado em 22 de outubro, com uma oferta de até 1,1 milhão de metros cúbicos por dia dedicados às indústrias, distribuídos em 110 lotes de 10 mil metros cúbicos. Ainda que a mudança na indexação não tenha sido oficializada, Paroli ressaltou que o preço final do gás vai depender das cotações do índice escolhido e de um adicional que será definido durante o leilão. A expectativa é que, ao final, o custo para o consumidor industrial não ultrapasse US$ 9 por milhão de BTU (uma unidade de medida de energia), incluindo impostos, transporte e distribuição, sendo que os preços iniciais prometidos pelo governo podem chegar a US$ 5 o milhão de BTU.
Segundo a fonte da PPSA, o fornecimento de gás deve começar em 1º de março de 2027 e se estender até 31 de dezembro do mesmo ano. Essa previsão envolve a expectativa de uma maior estabilidade nas negociações de preço, com o órgão buscando equilibrar uma remuneração justa ao produtor e preços competitivos para a indústria brasileira, tudo isso considerando a competitividade do mercado de gás no cenário internacional.
O que sabemos?
- A PPSA avalia substituir o índice de referência do gás natural de Henry Hub por um índice brasileiro ou sul-americano.
- O leilão de gás será realizado em 22 de outubro, com oferta de até 1,1 milhão de metros cúbicos por dia.
- A previsão para início do fornecimento é 1º de março de 2027.
- A referência atual, Henry Hub, é considerada estável, mas pode ser trocada por uma mais regional.
- O preço final deve girar em torno de US$ 9 por milhão de BTU, com preços iniciais prometidos de US$ 5.
Fontes
- CNN Brasil imprensa




