Ministro do Trabalho defende fim da escala 6x1 e discute mudança na jornada de trabalho
Projeto de lei propõe reduzir semana de 44 para 40 horas e adotar escala 5x2 sem cortes salariais
Luiz Marinho critica o modelo de escala 6x1, apontando vantagens do esquema 5x2 e ressaltando que mesma proposta está em discussão no Senado. Mudanças visam beneficiar trabalhadores e empresas.
O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, afirmou que a manutenção do modelo de trabalho 6x1, em que o trabalhador tem apenas uma folga por semana, é considerada por ele uma verdadeira 'absurdo'. Segundo Marinho, a adoção de uma escala 5x2, na qual o empregado trabalha cinco dias e folga dois, já é uma realidade entre empresários considerados 'modernos' e com 'cabeça arejada', que notaram melhorias tanto na redução de faltas quanto na contratação de novos funcionários.
Em entrevista à Folha de S.Paulo, o ministro reforçou que a discussão sobre a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) 221, que trata da mudança na jornada de trabalho, não é recente. Segundo ele, a proposta é de 2019, e agora, em 2026, o procedimento está sendo acelerado — ainda que o Senado tenha marcado para o dia 14 de agosto votações sobre o tema. A PEC propõe diminuir a carga horária semanal de 44 para 40 horas, sem redução de salário, e criar a escala 5x2, a ser aplicada 14 meses após a sua promulgação e publicação.
De acordo com o ministro, essa mudança atende a uma demanda dos trabalhadores, que têm registrado um alto número de afastamentos por questões ligadas à saúde mental. Ainda segundo dados do INSS citados por Marinho, no ano passado foram registrados quase 530 mil afastamentos dessa natureza. Ele argumenta que a alteração na legislação poderá melhorar a qualidade de vida do trabalhador e também ajudar as empresas que enfrentam dificuldades para preencher vagas de emprego, além de reduzir o absenteísmo.
Luiz Marinho afirmou que o objetivo do governo é fortalecer os direitos dos trabalhadores. Ele comentou ainda que as críticas de que as discussões estariam sendo feitas às pressas, devido ao período eleitoral, não têm fundamento, já que a proposta é antiga. “Por que não se pautou antes?” questionou o ministro, reforçando o debate em andamento e as vantagens potenciais do projeto para o mercado de trabalho.
Apesar de ainda não estar aprovado oficialmente, o tema vem ganhando destaque no Congresso, com a expectativa de que a votação seja marcada na próxima semana. A proposta prevê ainda que, ao adotar a escala 5x2, as empresas não terão que cortar salários, o que pode facilitar sua aceitação pelos empresários. Em resumo, a discussão trata de uma possível revolução nas relações de trabalho brasileiras, tentando equilibrar direitos trabalhistas e necessidades das empresas, enquanto busca-se diminuir problemas como o absenteísmo e o burnout.
O que sabemos?
- Ministro do Trabalho, Luiz Marinho, defende fim do modelo 6x1.
- PEC 221 propõe redução da jornada de 44 para 40 horas semanais.
- Proposta cria escala 5x2 sem redução de salários.
- Votação no Senado está marcada para 14 de agosto.
- Dados apontam quase 530 mil afastamentos por questões de saúde mental em 2022.
Fontes
- UOL Notícias imprensa
- Folha de S.Paulo imprensa



