Queda do ouro em meio à alta do petróleo e pressões do Fed preocupa mercados
Tensão no Oriente Médio e discursos do Federal Reserve reacendem temores inflacionários e afetam preços de metais preciosos
Após três sessões consecutivas em baixa, o ouro sofreu impacto da alta do petróleo e da postura mais rígida do Federal Reserve dos EUA. Pressões inflacionárias refletem na valorização dos juros e na desvalorização do metal, tradicionalmente visto como porto seguro em tempos de instabilidade.
O preço do ouro registrou sua terceira queda consecutiva nesta terça-feira (1º), pressionado pelo avanço dos preços do petróleo e pela expectativa de um aperto na política monetária dos Estados Unidos, segundo dados da bolsa Comex, a divisão de metais da Nymex em Nova York.
O contrato mais líquido do ouro para dezembro encerrou o pregão em baixa de 1,90%. A prata, que também é sensível às condições econômicas globais, caiu 2,43%, finalizando o dia a US$ 65,36 por onça-troy.
A alta do petróleo, que ultrapassou os US$ 94 por barril na modalidade Brent, foi impulsionada pela escalada das tensões na guerra do Oriente Médio. Segundo a CNN Brasil, esse movimento reacendeu temores inflacionários, uma vez que o aumento nos preços dos combustíveis tem impacto direto na inflação global. O Federal Reserve, banco central dos EUA, tem seu discurso monitorado como termômetro para a política econômica que influencia os mercados mundiais.
Em debate recente, o diretor do Fed, Michael Barr, afirmou que a inflação americana permanece acima da meta estipulada pelo banco central há mais de cinco anos. Ele destacou que, caso os dados indiquem que os preços não estejam diminuindo suficientemente, o Fed deverá agir “de forma decisiva” para elevar os juros, ferramenta usada para conter a inflação.
O aumento dos juros dos Treasuries (títulos públicos americanos) tem relação direta com o desempenho do ouro, pois o metal não rende juros, o que o torna menos atraente para investidores em momentos de juros elevados.
A posição do Federal Reserve ainda não é definitiva. Conforme análise do banco alemão Commerzbank, a decisão sobre uma possível elevação das taxas em setembro está longe de ser certa e dependerá da divulgação de dados econômicos importantes, como o relatório de emprego (payroll) e dados de inflação relativos a agosto.
Por fim, o desempenho do mercado de trabalho nos EUA tem trazido preocupação. Informações da CNN Brasil indicam que julho apresentou resultados abaixo do esperado, um fator que adiciona incerteza à decisão do Fed sobre os juros.
Esses movimentos no preço do ouro e da prata sinalizam um momento de volatilidade para os mercados globais, diretamente impactados pela geopolítica, pelos dados econômicos e pelas políticas dos bancos centrais.
O que sabemos?
- O ouro caiu pela terceira sessão consecutiva em 1º de agosto.
- O petróleo Brent ultrapassou US$ 94 o barril, pressionando o ouro por temores inflacionários.
- O diretor do Fed, Michael Barr, alertou sobre inflação acima da meta e indicou possibilidade de aumento dos juros.
- O aumento dos juros dos Treasuries desestimula investimentos em ouro, que não rende juros.
Fontes
- CNN Brasil imprensa





