Economia

Investimentos em saneamento no Brasil devem atingir pico em 2027, aponta estudo

Em apuração ?

Especialistas revelam potencial de crescimento e desafios na expansão de água e esgoto no país

Gráfico ilustrando crescimento de investimentos no setor de saneamento brasileiro
Imagem: Folha de S.Paulo

Segundo pesquisa do Itaú BBA, o setor de saneamento no Brasil deve alcançar seu maior volume de investimentos em 2027, com previsão de R$ 44,2 bilhões naquele ano. A expectativa é que o total investido entre 2026 e 2030 chegue a R$ 201,5 bilhões, dentro de um montante global de cerca de R$ 1,2 trilhão para universalização de serviços básicos.

De acordo com um estudo elaborado pelo Itaú BBA em parceria com a consultoria Inter.B, o setor de saneamento no Brasil deve passar por seu pico de investimentos no próximo ano, 2024, com uma previsão de aplicação de R$ 44,2 bilhões. O levantamento aponta que, entre 2026 e 2030, o total de recursos contratados e previstos na área chegará a aproximadamente R$ 201,5 bilhões, fazendo parte de um esforço maior de universalização dos serviços de água e esgoto. Segundo os autores do estudo, o volume total de investimentos necessários para alcançar a meta de levar água tratada a 99% da população e coleta e tratamento de esgoto a 90% até 2033 está estimado em cerca de R$ 1,2 trilhão.

O levantamento destaca que, apesar das melhorias e do crescimento de investimentos nos últimos anos, o ritmo médio de aplicação deverá quase dobrar para cumprir as metas estabelecidas pelo marco regulatório de 2020. Para alcançar a universalização até 2033, seria necessária uma média anual de R$ 95,2 bilhões, enquanto o previsto atualmente é de cerca de R$ 40,3 bilhões por ano, com um aumento gradativo até 2027. Ainda assim, o estudo reforça que há um grande interesse de investidores estrangeiros no setor, citando fundos soberanos de Singapura e fundos de pensão canadenses como alguns dos principais sócios de empresas de saneamento brasileiras, como Aegea e Iguá.

Segundo Rogério Yamashita, responsável pela área de infraestrutura em project finance no Itaú BBA, a participação de investidores internacionais evidencia a resiliência do setor, que possui contratos de concessão de longuíssimo prazo e uma demanda clara por melhorias no fornecimento. Ainda assim, Yamashita explicou que dificuldades relacionadas a diferenças de ativos antes e depois de concessões são desafios que vêm sendo superados com o amadurecimento do mercado, embora casos de contratos que precisam de reequilíbrio ainda ocorram, especialmente em regiões mais carentes de infraestrutura, como Norte e Nordeste. Já o co-diretor de infraestrutura do banco, Eduardo Corsetti, afirmou que o setor tem recebido uma atenção crescente, com investimento em diferentes regiões do país, e que essa expansão oferece boas perspectivas para o investimento estrangeiro.

Um dos instrumentos de financiamento que mais tem impulsionado o setor são as debêntures incentivadas, mecanismo que permite a emissão de títulos de dívida com benefícios fiscais. Segundo Yamashita, esse recurso já totaliza aproximadamente R$ 67 bilhões, enquanto há poucos anos o setor não tinha emissões relevantes nesse formato. O próprio Itaú BBA também anunciou planos de investir até R$ 1 trilhão na área de impacto social até 2030, com uma parte significativa voltada ao saneamento, elevando sua carteira de investimentos na área em 25% desde o ano passado, conforme Corsetti.

Até o momento, não há confirmações oficiais sobre a distribuição regional desses investimentos ou sobre as especificidades dos contratos de concessão, embora a tendência seja de que projetos nas regiões Norte e Nordeste enfrentem maior complexidade devido à menor cobertura de redes de água e esgoto. Segundo Yamashita, essas regiões estão passando por um processo de expansão mais desafiador e que os aprendizados adquiridos nas regiões Sul e Sudeste, que já contam com infraestrutura consolidada, estão ajudando a intensificar os esforços de melhoria em todo o país.

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O que sabemos?

  • Investimentos em saneamento no Brasil devem atingir pico de R$ 44,2 bilhões em 2024.
  • O total de recursos previstos entre 2026 e 2030 é de aproximadamente R$ 201,5 bilhões.
  • Meta nacional é universalizar o fornecimento de água e esgoto até 2033, com investimento estimado em R$ 1,2 trilhão.
  • Ritmo atual de investimento é de cerca de R$ 40,3 bilhões por ano, enquanto seriam necessários R$ 95,2 bilhões para cumprir as metas.
  • Há interesse de investidores estrangeiros, incluindo fundos soberanos de Cingapura e fundos de pensão canadenses.

Fontes

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