Economia

Indústria relojoeira suíça enfrenta crise, mas mantém sua força no mercado de luxo

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Apesar da queda nas exportações, marcas de alto padrão como a Rolex continuam lucrando mais

Relógios da marca Rolex em vitrine de loja de Nova York
Imagem: Folha de S.Paulo

A indústria relojoeira da Suíça está encolhendo em volume, mas aumentando seu valor e status de luxo, com destaque para a marca Rolex.

A indústria relojoeira suíça, tradicionalmente reconhecida pela precisão e luxo, vive um momento de transformação. Segundo informações da publicação The Economist, enquanto o volume de vendas e exportações caiu pela metade na última década, o valor agregado das marcas de alta renome, como a Rolex, tem crescido significativamente. A Rolex, uma das referências mundiais de relógios de luxo, vendeu quase 1,2 milhão de unidades no ano passado, gerando uma receita superior a 11 bilhões de francos suíços, cerca de R$ 65,7 bilhões — um aumento em relação a cerca de 8 bilhões de francos suíços (R$ 47,8 bilhões) no início dos anos 2020. Apesar do sucesso financeiro, a dificuldade para adquirir um modelo da marca também aumentou. Segundo fontes próximas às revendas autorizadas, praticamente qualquer relógio da Rolex exposto em loja está indisponível no momento, e a compra de um exemplar de 14 mil francos suíços (R$ 83,7 mil) geralmente exige uma lista de espera que muitos clientes precisam cumprir. Essa preferência pelo luxo tem se refletido no mercado, onde a busca por exclusividade e status mantém o valor dos relógios em alta.

Dados de mercado apontam que, na última década, as exportações da indústria suíça, que respondem por cerca de 95% das vendas, caíram pela metade, uma consequência direta do declínio das vendas de relógios de quartzo. Estes mecanismos eletrônicos, que competem com os tradicionais relógios mecânicos, foram duramente impactados pela ascensão dos relógios inteligentes, majoritariamente produzidos na Ásia. Ainda que o volume de vendas tenha diminuído, o valor do setor sobrou para marcas de luxo, como a Rolex, que mesmo com menos unidades vendidas, conseguiram elevar seus preços.

Em agosto, por exemplo, o valor das exportações de relógios de alta gama na Suíça ficou 9,1% acima do registrado um ano antes, marcando a quarta alta consecutiva em igual período. A situação revela que, embora a quantidade de relógios vendidos diminua, as marcas de luxo continuam lucrando graças à elevação dos preços e ao consumo de um público mais seletivo.

Especialistas indicam que a ilha de marcas relojoeiras na Suíça, que reúne cerca de 450 empresas, enfrenta uma mudança de paradigma marcada pela desaceleração do mercado de massa e o fortalecimento do segmento de luxo. Ainda não há um cenário de recuperação para as exportações mais tradicionais, mas o valor das marcas de alto padrão não para de crescer, demonstrando uma espécie de resistência num momento de crise global do setor.

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O que sabemos?

  • A indústria relojoeira suíça está encolhendo em volume de vendas, mas suas marcas de luxo estão faturando mais.
  • A Rolex vendeu quase 1,2 milhão de relógios em um ano, gerando mais de R$ 65 bilhões.
  • As exportações na Suíça caíram pela metade na última década, especialmente os relógios de quartzo.
  • Relógios da Rolex e outras marcas de luxo tiveram aumento de valor, mesmo com menor quantidade vendida.
  • A procura por relógios exclusivos levou muitas pessoas a entrarem em longas listas de espera.

Fontes

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