Economia

Feijão estabiliza preços enquanto mandioca pode subir com demanda de fim de ano

Em apuração ?

Análise do Cepea e da Abras mostra movimentos divergentes entre dois ingredientes essenciais da cesta básica brasileira

Feijão e mandioca em destaque em cesta básica
Imagem: CNN Brasil

Levantamento recente aponta alta na farinha de trigo e mandioca, que pode se intensificar devido às festas de fim de ano, enquanto o preço do feijão começa a se acomodar após alta expressiva em 2026.

Dois ingredientes tão tradicionais e brasileiros quanto o feijão e a mandioca vivem realidades distintas dentro da cesta básica, afetando diretamente o orçamento dos consumidores. Segundo um levantamento realizado pela Abras (Associação Brasileira de Supermercados), a farinha de trigo ficou 0,54% mais cara em julho, influenciando o custo total da cesta básica. No entanto, a mandioca, também conhecida como aipim ou macaxeira, pode estar diante de uma tendência de alta que ainda não se consolidou completamente, conforme aponta o monitoramento do Cepea (Centro de Estudos em Economia Aplicada).

De acordo com os pesquisadores do Cepea, esse aumento no preço da raiz é reflexo direto da demanda esperada para as festas de fim de ano, período em que o consumo regional da mandioca naturalmente cresce. A oferta, por sua vez, permanece abaixo do necessário nas regiões acompanhadas, já que os produtores têm se mostrado pouco dispostos a vender as lavouras do primeiro ciclo. Eles apostam em novas elevações nos preços e, por isso, limitam o volume de mercadoria entregue ao mercado, pressionando os valores para cima.

Essa resistência dos vendedores acontece justamente enquanto a indústria mantém atuação firme na recomposição dos estoques, buscando atender o consumo maior previsto para o final do ano. Esse cenário cria um descompasso entre oferta e demanda que tem mantido a trajetória de alta no mercado da mandioca, sem sinal de estabilização por enquanto.

Enquanto isso, o feijão carioca, que chegou a quase dobrar de preço em 2026 após vários meses consecutivos de alta, registra uma movimentação contrária. Dados recentes do Cepea indicam que o avanço da colheita da terceira safra aumentou a oferta do grão neste ano, provocando uma pressão para queda nos preços pelo terceiro mês seguido. Esse processo, considerado uma acomodação do mercado, foi sentido até mesmo quando, no final de agosto, os produtores passaram a restringir a venda do feijão diante das perdas acumuladas com os preços mais baixos.

Até o momento, essas informações são fornecidas apenas pela CNN Brasil, e ainda não foram confirmadas oficialmente por outras fontes do setor. Também não há divergências conhecidas sobre os dados apresentados. O cenário aponta para um momento de complexidade na formação dos preços de itens básicos, impactando diretamente nas escolhas dos consumidores e nas estratégias tanto dos produtores quanto da indústria para os próximos meses.

Publicidade

O que sabemos?

  • A farinha de trigo subiu 0,54% em julho, impactando a cesta básica
  • A mandioca deve ter alta por causa da demanda das festas de fim de ano
  • A oferta de mandioca é inferior à necessária, produtores limitam entregas
  • O feijão carioca passou a ter preços mais baixos pela maior oferta da terceira safra

Fontes

Publicidade