Economia

Estudo aponta que empresas com planos climáticos reduzem custos de empréstimos

Em apuração ?

Divulgar estratégias de transição para o clima pode beneficiar empresas em termos financeiros, aponta pesquisa

Turbinas eólicas próximas a uma mina na Alemanha, simbolizando transição sustentável.
Imagem: Folha de S.Paulo

Um levantamento realizado por uma força-tarefa de reguladores revela que companhias que publicam planos detalhados contra as mudanças climáticas pagam juros menores em suas dívidas. A diferença média é de 0,8 ponto percentual.

Segundo levantamento divulgado pela ITPN (International Transition Plan Network), organizações de capital aberto que tornam públicos seus planos para enfrentar as mudanças climáticas desfrutam de custos de empréstimo mais baixos do que as concorrentes que não fazem essas divulgações. Entre 2016 e 2023, o estudo analisou cerca de 8.000 empresas de diferentes países, setores e tamanhos, e revelou que, em média, as companhias que adotaram planos completos e transparentes para a transição para uma economia de baixo carbono pagaram juros aproximadamente 0,8 ponto percentual menores sobre suas dívidas, em comparação às que não divulgaram esse tipo de estratégia. Essa diferença, embora pareça modesta, é considerada significativa no mercado de crédito, pois reflete maior confiança dos investidores na gestão de riscos ambientais pelas empresas que adotam uma postura mais prudente e transparente, segundo ainda segundo a pesquisa, encomendadas por membros da ITPN, incluindo reguladores e formuladores de política de países como Reino Unido, Japão, Brasil e Austrália.

Segundo a fonte, analistas explicam que a divulgação de planos climáticos detalhados demonstra uma gestão mais eficiente dos riscos associados às mudanças climáticas. Ainda segundo eles, investidores podem interpretar essas ações como um sinal de maior confiabilidade e de preparo para um cenário futuro de regulamentações ambientais mais rigorosas, o que fortalece a percepção de sustentabilidade e responsabilidade corporativa. A pesquisa também indica que esses planos podem incluir metas de emissão líquida zero, estratégias de mitigação de riscos, evidências de participação em discussões sobre políticas públicas e indicadores de emissões de CO₂, entre outros elementos.

Embora alguns reguladores na União Europeia e no Reino Unido tenham criado estruturas de referência para esses planos, a publicação deles ainda não é obrigatória oficialmente. O Banco Central Europeu declarou que pretende realizar exercícios de supervisão específicos focados na gestão prudente das transições climáticas por bancos, como parte de suas prioridades para os próximos anos. Ainda não há confirmação de que as empresas brasileiras tenham adotado essas estratégias com a mesma disseminação que outras regiões ou setores, e o estudo não aponta impacto direto nos lucros ou no valor de mercado das companhias, apenas na redução dos custos de financiamento.

De acordo com a análise, é importante lembrar que a pesquisa não diferenciou os custos de empréstimos por tipo de dívida, o que pode influenciar na precisão do dado. Ainda assim, especialistas consideram que a iniciativa de divulgar planos de transição é um passo importante na direção de uma gestão empresarial mais alinhada às questões ambientais e de sustentabilidade, especialmente em tempos em que a preocupação com o clima ganhou cada vez mais espaço na agenda global.

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O que sabemos?

  • O estudo analisou quase 8.000 empresas entre 2016 e 2023.
  • Empresas que divulgaram planos climáticos tiveram juros 0,8 ponto percentual menores.
  • A pesquisa foi encomendada pela ITPN, envolvendo reguladores de diversos países.
  • A divulgação desses planos pode indicar uma gestão mais confiável dos riscos ambientais.
  • Reguladores na UE e Reino Unido buscam estabelecer regras sobre planos de transição, mas ainda não tornaram obrigatória a publicação.

Fontes

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