Coordenador do programa de Lula rebate crise fiscal enquanto preços do querosene de aviação disparam
Economista José Sergio Gabrielli minimiza impacto fiscal e mercado aéreo enfrenta alta nos custos do combustível
José Sergio Gabrielli, responsável pelo programa econômico de Lula, classifica como 'fake news' a ideia de crise fiscal no Brasil. Paralelamente, o preço do querosene de aviação subiu 13,9%, o que pode reduzir em 225 mil o número de passageiros transportados por cada real a mais no litro.
O coordenador do programa de governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, José Sergio Gabrielli, afirmou que não existe uma crise fiscal no Brasil, classificando a narrativa como "fake news". Segundo ele, a economia brasileira apresenta sinais positivos, com desemprego em níveis baixos, queda no índice de preços ao consumidor ampliado (IPCA-15), estabilidade na taxa de câmbio e reservas internacionais firmes, além de ausência de problemas na balança de pagamentos.
Gabrielli disse ao Painel da Folha de S.Paulo que "não há nenhum motivo para pânico". Embora a trajetória crescente da dívida pública seja apontada por economistas como motivo de preocupação, ele ressaltou que essa alta não é explosiva e que as estimativas de mercado para os principais parâmetros macroeconômicos para o ano seguinte permanecem estáveis. Dentro da campanha de Lula, Gabrielli representa uma ala que defende flexibilizar o arcabouço fiscal para permitir investimentos maiores, uma visão que contrasta com a do ministro da Fazenda, Dario Durigan, que defende reduzir gastos e reforçar as regras fiscais.
Enquanto isso, em outro setor sensível da economia, a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) alertou para os efeitos do aumento no preço do combustível de aviação (QAV). De acordo com a entidade, cada real acrescido no preço do litro do QAV reduz em 225 mil o número de passageiros transportados. Desde o início do ano, os reajustes adicionais elevaram em R$ 6,3 bilhões os gastos das companhias aéreas com combustível, atualmente responsável por 42% dos custos dessas empresas — uma alta significativa diante dos 30% registrados antes do conflito no Oriente Médio.
Na última terça-feira (1º), a Petrobras anunciou um reajuste de 13,9% no preço médio do QAV, o que representa um aumento de R$ 0,68 por litro. O valor do combustível passou, assim, a variar entre R$ 5,44 e R$ 5,70 nas refinarias, totalizando uma alta acumulada de 53,3% no ano. A estatal atribui o aumento às tensões geopolíticas decorrentes da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã, que começou em 28 de fevereiro. O Estreito de Ormuz, rota crucial por onde passava cerca de 20% da produção mundial de petróleo e gás antes do conflito, é o centro dessa instabilidade.
Esse aumento nos custos do QAV ocorre num momento em que o crescimento do transporte aéreo regular é foco das políticas públicas do setor, apontando para um impacto potencialmente negativo sobre o mercado doméstico e a movimentação de passageiros.
Portanto, embora a visão oficial do programa de Lula veja a situação econômica nacional com otimismo e sem crise fiscal, o aumento expressivo dos custos do setor aéreo sinaliza desafios para a economia real e para os consumidores, mostrando que tensões globais podem afetar diretamente o cotidiano no Brasil.
O que sabemos?
- José Sergio Gabrielli nega crise fiscal no Brasil e afirma que narrativa é 'fake news'
- Gabrielli destaca bons sinais econômicos como desemprego baixo e inflação em queda
- Petrobras reajustou em 13,9% o preço do querosene de aviação, acumulando alta de 53,3% no ano
- Cada real a mais no preço do combustível reduz em 225 mil o número de passageiros transportados, segundo Abear
Fontes
- Folha de S.Paulo imprensa
- Folha de S.Paulo imprensa
- UOL Notícias imprensa




