Cientistas tentam preservar DNA de araucária gigante que caiu em Santa Catarina
Operação busca clonagem de uma árvore de quase 500 anos para evitar sua extinção
Após a queda de uma araucária de mais de 40 metros em Santa Catarina, pesquisadores coletaram amostras do DNA e trabalham na clonagem para conservar a espécie.
Segundo a fonte oficial da Embrapa, uma árvore gigante de aproximadamente 40 metros de altura, conhecida como Pinheirão, caiu na região de Caçador, em Santa Catarina, possivelmente em fevereiro deste ano. A descoberta da queda ocorreu apenas no final de abril, durante uma manutenção de rotina em uma estrada florestal, o que mobilizou uma equipe de cientistas atentos à preservação do patrimônio natural da área.
Segundo a mesma fonte, o Pinheirão é uma araucária, uma espécie que hoje representa apenas 3% de sua cobertura original. Acredita-se que a árvore tenha entre 400 e 500 anos, tornando-se um símbolo importante da biodiversidade local. Para não perder as características genéticas e a história evolutiva dessa árvore, os pesquisadores da Embrapa Florestas iniciaram ações de resgate do material biológico. Quatro meses após a queda, eles ainda encontraram brotos vivos nos galhos e até na copa do tronco, uma surpresa para os especialistas, especialmente o engenheiro florestal Ivar Wendling, que ressaltou que alguns ramos ainda estavam emitindo brotos mesmo após o evento.
De acordo com o divulgado, amostras de brotos coletadas tanto do chão quanto de uma araucária vizinha, escalada por Wendling, foram levadas para a sede da Embrapa na Região Metropolitana de Curitiba. Lá, os cientistas estão produzindo cerca de 50 clones por meio de uma técnica chamada enxertia, na qual um ramo recolhido do Pinheirão é enxertado em uma muda jovem. Caso o procedimento seja bem-sucedido, após 100 dias, haverá uma cópia com 100% do DNA da árvore original, contribuindo para a preservação genética da espécie.
Além da coleta de brotos, um disco de madeira do tronco do Pinheirão foi retirado para análise. Segundo fontes, esse material será submetido a um processo de secagem cuidadosa para evitar rachaduras, seguido de um polimento que permitirá a análise dos anéis de crescimento com técnica de dendrocronologia — ciência que estuda marcas anuais no tronco para determinar a idade exata da árvore e recuperar registros climáticos de séculos passados. Estimativas iniciais indicam que a árvore tinha entre 400 e 500 anos ao tombar. Esse método também ajudará a compreender períodos de seca e de chuva intensa, com base na largura dos anéis, informa a fonte especializada em estudos florestais da Universidade Federal de Santa Catarina.
Reconhecida por sua longevidade e porte, a araucária em questão fazia parte de uma área experimental compartilhada pela Embrapa e a Epagri, ambos no município de Caçador. O episódio traz à tona o impacto de fenômenos naturais, como o encharcamento do solo que favorece o tombamento de árvores dessa magnitude, um risco constante para espécies centenárias. Ainda não há confirmação oficial de que a árvore tenha sido atingida por um evento climático específico, apenas indicações de que o excesso de água enfraqueceu suas raízes, tornando-a vulnerável à queda. A equipe de pesquisa ainda aguarda resultados finais das análises para entender melhor a história e o que levou ao tombamento do Pinheirão, que agora poderá servir de modelo para estratégias de conservação de espécies ameaçadas na região.
Fontes
- G1 imprensa




