Recorde no uso de cartão de crédito rotativo no Brasil e proposta de limitação pelo governo
Presidente Lula discute restrição a múltiplos cartões para combater endividamento elevado
Dados do Banco Central revelam aumento no uso do cartão rotativo, que atinge juros de até 445% ao ano, levando o governo a estudar medidas para limitar a quantidade de cartões por pessoa.
Segundo informações do Banco Central, o uso do cartão de crédito no Brasil atingiu patamares históricos neste ano, especialmente na modalidade do rotativo, que é a mais cara e considerada uma das principais responsáveis pelo alto endividamento dos brasileiros. Nos oito primeiros meses de 2026, as contratações somaram R$ 311 bilhões, superando os R$ 266 bilhões registrados no mesmo período de 2025. Além disso, as concessões de crédito nesta linha já se aproximam do total de R$ 403 bilhões registrado ao longo de todo o ano passado, sinalizando uma intensificação do uso.
O cartão rotativo é utilizado por quem não consegue pagar o valor total da fatura na data de vencimento, entrando numa espécie de dívida de juros altos. Segundo fontes do Banco Central, em janeiro de 2026, aproximadamente 40 milhões de brasileiros possuíam dívida nesta modalidade, o que representa cerca de 40% da população usando cartão de crédito. Ainda de acordo com o órgão, 101 milhões de pessoas no país estavam usando cartão de crédito ao início deste ano, indicando que quase metade da população tem acesso ao serviço.
O cenário preocupa especialmente pelos altos índices de inadimplência nesta linha de crédito, que atingem 63,5%. Ou seja, mais de R$ 60 de cada R$ 100 emprestados não foram pagos. Em agosto, a taxa de juros do cartão rotativo atingiu 445% ao ano — uma das mais altas do mercado financeiro brasileiro. Para efeito de comparação, outras linhas de crédito, como o crédito consignado, apresentam taxas entre 24% e 56% ao ano, bem menores.
Nesta quinta-feira (1º), durante o período eleitoral, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que está discutindo com o Banco Central a possibilidade de proibir uma pessoa de ter mais de um cartão de crédito. Segundo Lula, essa medida visa reduzir o endividamento da população, que também está atingindo níveis recordes devido ao uso excessivo do rotativo. Ele citou um exemplo de um pai de um menino autista, que recebeu quatro cartões de crédito e acumularam uma dívida de R$ 80 mil, chamando atenção para a irresponsabilidade no uso do crédito.
O presidente destacou que essa discussão faz parte de uma tentativa de reformular a economia brasileira e cobrar do Banco Central uma postura mais rigorosa na moralização do crédito. Ainda não há confirmação oficial se alguma decisão concreta será tomada, mas o tema tem gerado debate no setor financeiro e político. A proposta de Lula, por sua vez, ainda não entrou em vigor e aguarda análises e possíveis implementações futuras.
Especialistas recomendam que consumidores evitem recorrer ao cartão rotativo sempre que possível, buscando pagar a fatura integralmente para evitar os juros exorbitantes. Desde janeiro de 2024, o Congresso já estabeleceu limites ao endividamento nesta linha, determinando que o valor total da dívida, incluindo juros e encargos, não possa exceder o dobro do valor inicialmente contratado, ou seja, um teto de R$ 200 para uma dívida de R$ 100.
O que sabemos?
- Uso recorde do cartão rotativo alcançou R$ 311 bilhões nos oito primeiros meses de 2026.
- Cerca de 40 milhões de brasileiros possuem dívidas neste tipo de crédito.
- Taxa de juros do cartão rotativo atingiu 445% ao ano em agosto de 2026.
- Inadimplência na linha de crédito está em 63,5%.
- Lula discute com o Banco Central a possibilidade de limitar cartões por pessoa.
Fontes
- G1 imprensa





