Arrecadação federal atinge recorde de R$ 235 bilhões em agosto, o melhor resultado dos últimos 32 anos
Resultado reforça expectativa de maior receita para o governo em 2023, impulsionado por economia aquecida, aumento de impostos e alta no preço do petróleo
Ao registrar R$ 235,6 bilhões em arrecadação em agosto, o governo brasileiro estabeleceu um novo recorde para o mês desde 1991, refletindo crescimento econômico e medidas tributárias recentes.
Segundo fontes da Receita Federal, a arrecadação federal de agosto atingiu R$ 235,6 bilhões, marcador histórico para o mês desde o início da série oficial em 1995. Este valor representa um crescimento real de 8,25% em comparação ao mesmo período do ano passado, que teve uma arrecadação de R$ 217,6 bilhões (corrigidos pela inflação). O resultado foi divulgado nesta terça-feira (22) e é o maior já registrado para meses de agosto em 32 anos, o que reforça a expectativa de um ano fiscal robusto para o país.
De acordo com os analistas, o crescimento da arrecadação está ligado ao momento econômico favorável, com destaque para a elevação dos impostos, o aumento na arrecadação de royalties e participação na extração de petróleo, além da alta no preço internacional do combustível. Ainda segundo fontes da Receita, vários fatores contribuíram para esse desempenho, incluindo o aumento de impostos sobre combustíveis, a reoneração gradual da folha de pagamentos, a taxação de apostas esportivas e a elevação do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) sobre crédito e câmbio. Além disso, o governo adotou uma medida que elevou a tributação sobre fundos de alta renda e operações com empresas offshore.
O avanço na arrecadação também foi influenciado por fatores externos, como o aumento dos preços de commodities, especialmente o petróleo, decorrente da guerra entre Estados Unidos e Irã. A receita obtida com royalties e participação na extração foi impactada por essa situação, além de uma nova taxação extra sobre exportações estabelecida pelo Executivo. Segundo dados oficiais, a arrecadação acumulada de janeiro a agosto somou R$ 2,13 trilhões, corrigidos pela inflação, configurando um crescimento real de 7,12% em comparação ao mesmo período do ano passado, que teve R$ 1,98 trilhão apurados sem correção inflacionária.
O subsecretário de Estudos Tributários e Aduaneiros, Claudemir Malaquias, afirmou que o governo revisará para baixo as estimativas de arrecadação futura referentes à taxação de contribuintes com renda superior a R$ 600 mil anuais — uma medida prevista para compensar perdas decorrentes da ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda, que passará a isentar quem ganha até R$ 5 mil mensais a partir de 2026. Inicialmente, a previsão de receita desse incremento era de R$ 29 bilhões, mas, devido à redução na arrecadação estimada, esse valor foi ajustado para aproximadamente R$ 10,5 bilhões, segundo fontes da equipe econômica. Ainda de acordo com a fonte, esse ajuste visa equilibrar a arrecadação prevista e garantir o cumprimento da meta fiscal estabelecida para 2026, que prevê um saldo positivo de 0,25% do PIB, equivalente a cerca de R$ 34,3 bilhões.
O resultado do avanço na arrecadação reforça a estratégia do governo de usar esse aumento de receitas para atingir a meta fiscal anual, cuja principal prioridade é manter as contas sob controle enquanto enfrenta uma conjuntura econômica marcada por preços elevados no mercado internacional e por medidas de ajuste financeiro interno.
O que sabemos?
- A arrecadação de agosto foi de R$ 235,6 bilhões, maior valor para o mês desde 1991.
- O crescimento real foi de 8,25% em relação ao mesmo mês do ano passado, corrigido pela inflação.
- O valor acumulado de janeiro a agosto foi de R$ 2,13 trilhões, recorde para o período.
- A arrecadação foi impulsionada por aumento de impostos, alta nos preços do petróleo e medidas fiscais adotadas pelo governo.
- O governo revisará para baixo a estimativa de arrecadação com a taxação de contribuintes com renda acima de R$ 600 mil, ajustando o valor de R$ 17 bilhões para aproximadamente R$ 10,5 bilhões.
Fontes
- G1 imprensa



