Economia

Investidores questionam se diversificar compensa diante do desempenho recente do CDI

Em apuração ?

Estudo analisa resultados de uma carteira diversificada e o risco de confiar apenas na rentabilidade do CDI

Gráfico ilustrando diferentes retornos de carteiras de investimentos ao longo do tempo
Imagem: Folha de S.Paulo

Uma análise recente levanta dúvidas sobre se diversificar investimentos realmente traz vantagens, já que, em certos períodos, o tradicional CDI apresentou melhor desempenho. Especialistas explicam a importância de compreender o comportamento dos ativos ao longo do tempo.

Uma reflexão comum entre investidores é se vale a pena buscar alternativas ao CDI, o tradicional investimento de renda fixa no Brasil, especialmente após uma análise de uma carteira diversificada que, em certos períodos, teve retorno inferior ao do benchmark. Segundo uma fonte do jornal Folha de S.Paulo, uma carteira com alocações variadas, incluindo renda fixa, fundos multimercados e ações internacionais, apresentou resultados inferiores ao CDI nos últimos cinco anos, apesar de ter sido planejada para reduzir riscos e buscar maior rentabilidade.

Segundo a reportagem, a carteira em questão tinha 40% em CDI, 10% em renda fixa prefixada, mais 20% em títulos atrelados à inflação, além de 10% em fundos multimercados, 5% em fundos imobiliários, e uma exposição de 7,5% no Ibovespa e 7,5% no S&P 500, com exposição ao dólar. Em períodos recentes, essa composição rendeu, na média, 10,73% ao ano, enquanto o CDI rendeu 12,5% no mesmo período. Nos últimos três anos, os números foram respectivamente 12,01% contra 12,7%, e em dois anos 12,26% ante 13,5%. Para o ano de 2026, a carteira estaria com um retorno de cerca de 88% do CDI.

Tal cenário leva a uma questão quase inevitável: por que investir em outros ativos, assumindo riscos adicionais, se o CDI teria sido suficiente? Segundo especialistas, a resposta está na noção de que diversificação não garante sempre maior retorno. No entanto, ela serve principalmente para reduzir a dependência de um único ativo ou cenário econômico, oferecendo uma proteção contra quedas. Como já explicaram estudos clássicos, como os de Harry Markowitz, o risco de uma carteira não é apenas a soma dos riscos de seus componentes isolados, mas também depende de como esses ativos se comportam juntos ao longo do tempo.

O texto reforça que, embora a carteira mencionada tenha apresentado desempenho inferior ao CDI no momento atual, avaliar essa decisão apenas com base nos resultados recentes pode ser enganoso. Historicamente, entre 2016 e 2020, por exemplo, essa mesma carteira rendeu mais de 130% do CDI em diversos anos, chegando a 268,64% em 2019 e 255,76% em 2020. Assim, o que parece uma perda agora pode ter sido uma estratégia vencedora em outro contexto, e vice-versa. Ainda que as informações apresentadas não tenham sido confirmadas oficialmente, a análise ressalta que o comportamento dos ativos ao longo do tempo é fundamental para entender os riscos e benefícios de uma estratégia de diversificação.

Por fim, a reportagem alerta que decisões de investimento devem sempre considerar o horizonte de tempo e o objetivo do investidor, evitando avaliações precipitadas com base apenas nos resultados recentes. O que vale, em última análise, é uma estratégia bem planejada, que compreenda as mudanças de cenário e o comportamento dos ativos ao longo do tempo, mesmo quando os números parecem contrariar expectativas momentâneas.

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O que sabemos?

  • Carteira diversificada com 40% em CDI, 10% em renda prefixada, 20% em títulos indexados à inflação, 10% em fundos multimercados, 5% em fundos imobiliários, 7,5% no Ibovespa e 7,5% no S&P 500.
  • Resultado recente da carteira: 10,73% ao ano, abaixo do CDI com 12,5%.
  • Na análise de três anos, a carteira rendeu 12,01% enquanto o CDI rendeu 12,7%.
  • Nos últimos dois anos, o retorno foi de 12,26% contra 13,5% do CDI.
  • Para o ano de 2026, o resultado da carteira está em torno de 88% do CDI.

Fontes

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