Adultos investem fortunas em cartas e brinquedos que marcaram a infância
O mercado de colecionáveis revive o passado e movimenta milhões de reais
Franquias como Pokémon conquistam adultos que agora pagam altas somas por objetos da infância. O mercado de cartas e brinquedos vintage cresce, impulsionado pela nostalgia e por preços surpreendentes.
Um fenômeno que vem ganhando destaque no mercado de colecionáveis é o elevado valor de cartas, brinquedos e outros objetos que fizeram parte da infância de uma geração que já está na faixa dos 30 e 40 anos. Segundo uma publicação do jornal "Financial Times", uma carta do Pokémon chamada Pikachu Illustrator, lançada em 1998, foi vendida por impressionantes US$ 16,5 milhões (cerca de R$ 84,8 milhões), estabelecendo um recorde mundial. Ainda conforme a mesma fonte, outras cartas do universo Pokémon também alcançaram valores milionários, sendo vendidas por mais de US$ 1 milhão (R$ 5,1 milhões).
O mercado não se limita às cartas caras: uma carta do mesmo personagem, Mario Pikachu, foi vendida por aproximadamente £20 mil (R$ 138 mil) após uma negociação anos antes por apenas £30 (R$ 208,20). Estes valores ilustram como cartas antigas, que há anos estavam esquecidas ou consideradas simples coleções, estão sendo vendidas por cifras que parecem de mercado de luxo.
Segundo fontes, grande parte do movimento é impulsionada por adultos que cresceram acompanhando a franquia Pokémon. Como destacou um comerciante de cartas ao "Financial Times", Elliot Cabrol, que trabalha com esse mercado há mais de 20 anos, “essa geração tem como nostalgia o Pokémon”. Ele explica que muitas dessas pessoas compram os itens como uma forma de reviver a infância, agora com maior poder de compra. Um exemplo disso é um analista de dados que, em 2025, deixou seu emprego para atuar no mercado de colecionáveis de cartas. Jordan Dunne estima que suas vendas neste ano podem chegar a cerca de £4 milhões (R$ 27,8 milhões), uma alta significativa em relação aos R$ 8,3 milhões de 2025. Em transmissões ao vivo pelo eBay, Dunne já vendeu cartas por valores superiores a £2 mil (R$ 13,8 mil) cada, com algumas chegando a gerar até £60 mil (R$ 416,4 mil) em vendas rápidas. Durante um período de apenas três semanas de agosto, ele vendeu três cartas de sua coleção por cerca de £300 mil (R$ 2,08 milhões), tendo as comprado por metade desse valor um ano antes.
Outro fenômeno observado é o interesse de pessoas que não vivem do mercado de colecionáveis, como um carpinteiro de 25 anos que voltou a colecionar cartas de Pokémon. Segundo ele, seu objetivo é guardar essas peças em bom estado para passá-las aos filhos no futuro. A raridade e o estado de conservação são fatores essenciais para os altos preços que essas cartas atingem, já que poucas unidades antigas sobrevivem em boas condições, enquanto as produzidas atualmente são mais fáceis de serem encontradas. Empresas especializadas avaliam as cartas em uma escala de 1 a 10, levando em consideração riscos, desgaste e posicionamento da imagem, o que explica a disparidade de valores para exemplares semelhantes. Uma carta rara de Pikachu, em perfeito estado, foi vendida por cerca de £250 mil (R$ 1,7 milhão), enquanto uma condição um pouco pior rendeu aproximadamente £15 mil (R$ 104 mil).
Esse movimento também revela uma combinação de fatores: a nostalgia, a escassez de peças e o desejo de investimento. Ainda não há confirmação oficial sobre o tamanho exato do mercado, mas o crescimento das negociações e os valores envolvidos indicam uma forte retomada de interesse dos adultos, especialmente aqueles que acompanharam as franquias na infância, agora com maior poder de compra e desejo de reviver memórias com objetos que podem valer uma fortuna.
O que sabemos?
- Carta Pikachu Illustrator de 1998 vendida por US$ 16,5 milhões, recorde mundial.
- Cartas de Pokémon chegam a valer mais de US$ 1 milhão em leilões.
- Adultos que cresceram com Pokémon investem grandes somas em cartas e brinquedos vintage.
- Venda de cartas de Pokémon por milhões de reais mostra o crescimento do mercado de colecionáveis.
- Estado de conservação é crucial para definir o valor de cartas antigas.
Fontes
- G1 imprensa





