Terremoto de 2025 na Rússia pode ter despertado vulcão inativo há quase 600 anos
Estudo sugere que o forte tremor na península de Kamchatka pode ter desencadeado atividade vulcânica inesperada
Após um megaterremoto ocorrido em 2025 na região de Kamchatka, pesquisadores apontam que o vulcão Krasheninnikov, considerado inativo, apresentou sinais de atividade, incluindo uma grande erução. A relação entre os sismos e a atividade vulcânica, embora ainda sob investigação, ganha destaque entre os estudiosos.
O terremoto de 2025, de grande magnitude, ocorrido na península de Kamchatka, na Rússia, pode ter sido o gatilho de uma atividade vulcânica que não ocorria há quase 600 anos. Segundo informações ainda não confirmadas oficialmente, pesquisadores.publicaram um preprint no repositório EarthArXiv onde sugerem que o abalo sísmico teria causado uma sequência de processos subterrâneos capazes de ativar o vulcão Krasheninnikov, que até então não apresentava sinais evidentes de erupção. O estudo aponta que, poucos dias após o sismo, a região registrou 12 terremotos de aproximadamente magnitude 4 em um intervalo de cinco horas, além de alterações visuais captadas por satélite, como uma fratura quase vertical na crosta ao redor do vulcão e uma grande coluna de material sendo expelida, em uma erupção considerada a primeira em cerca de seis séculos.
De acordo com os pesquisadores, a intrusão de magma na região foi estimada em cerca de 32 milhões de metros cúbicos, alimentada por um reservatório subterrâneo localizado aproximadamente 6 quilômetros abaixo da superfície. Apesar disso, o estudo indica que as mudanças permanentes na tensão da crosta provocadas pelo terremoto foram pequenas, entre 0,01 e 0,05 megapascals, enquanto que o limite para rompimento de reservatórios de magma costuma ser entre 1 a 10 megapascals. A tensão transitória durante o próprio sismo, no entanto, foi de aproximadamente 1,0 ± 0,6 megapascals, uma atmosfera potencialmente suficiente para influenciar o sistema, embora essa não seja a explicação mais provável, já que o vulcão não reagiu imediatamente ao abalo.
Segundo a modelagem dos especialistas, o magma no reservatório tinha características compatíveis com alto teor de gases, que poderiam ter acumulado bolhas ao longo de séculos de cristalização. O tremor prolongado causado pelo terremoto teria favorecido a difusão de gases para dentro dessas bolhas, aumentando sua pressão e tornando o sistema instável. Por isso, os pesquisadores levantam a hipótese de que o sistema teria atingido um “estado crítico oculto”, ou seja, uma condição instável ainda sem manifestação visível na superfície, mas com potencial de ativação.
Até o momento, o vulcão Krasheninnikov não apresentou sinais prévios de erupção, como inchaço do solo ou emissões de gases como dióxido de enxofre, que eram observadas em outros momentos na região, nem mesmo nos anos anteriores ao terremoto. Ainda assim, os especialistas destacam que o estudo é preliminar e que mais evidências são necessárias para confirmar uma ligação direta entre o sismo de 2025 e a atividade vulcânica.
O que sabemos?
- O terremoto de 2025 ocorreu na península de Kamchatka, Rússia.
- Após o sismo, o vulcão Krasheninnikov entrou em erupção pela primeira vez em cerca de 600 anos.
- A intrusão de magma estimada em 32 milhões de metros cúbicos foi identificada após o terremoto.
- Pesquisadores apontam que mudanças na tensão da crosta foram pequenas, mas o terremoto pode ter influenciado a atividade vulcânica.
Fontes
- Olhar Digital fonte especializada





