Como tardígrados sobrevivem ao vácuo do espaço sideral
Experimento revela a habilidade única desses minúsculos animais ao entrarem em estado de criptobiose durante missão espacial
Em 2007, a missão Foton-M3 da ESA expôs espécies de tardígrados ao vácuo e radiação solar no espaço, demonstrando que um mecanismo químico os protege da morte quase certa; os resultados foram publicados em 2008 por pesquisadores suecos.
Tardígrados, conhecidos como “ursos d’água” por seu tamanho microscópico e aparência curiosa, surpreenderam a comunidade científica ao resistirem às condições extremas do espaço. Segundo reportagem do Olhar Digital, o segredo está na capacidade desses animais entrarem em um estado chamado criptobiose. Nesse processo, eles expulsam quase toda a água do corpo e freiam o metabolismo a quase zero, o que lhes permite sobreviver a situações que seriam fatais para a maior parte dos seres vivos.
O experimento que comprovou essa resistência aconteceu a bordo da missão Foton-M3, da Agência Espacial Europeia (ESA), lançada da Rússia em setembro de 2007. A espaçonave carregava 120 espécimes de duas espécies de tardígrados: Richtersius coronifer e Milnesium tardigradum. Esses organismos foram posicionados em um compartimento externo chamado Biopan, que, já em órbita a cerca de 270 quilômetros de altitude, abriu um painel para expô-los ao ambiente espacial.
Os pesquisadores dividiram os animais em grupos para testar os efeitos do vácuo e da radiação ultravioleta solar. Um grupo enfrentou apenas o vácuo, protegido da radiação por um filtro especial; outro grupo recebeu a combinação de vácuo e radiação solar direta, sem qualquer proteção. O resultado, publicado em 2008 na revista Current Biology pela equipe liderada por K. Ingemar Jönsson, da Universidade de Kristianstad, na Suécia, revelou uma diferença dramática entre os grupos. Os tardígrados expostos apenas ao vácuo sobreviveram em número quase equivalente aos que permaneceram na Terra, enquanto a sobrevivência dos expostos ao vácuo com radiação total despencou, restando apenas uma pequena fração viva.
Esse feito depende de um truque químico fascinante: durante a criptobiose, o tardígrado substitui grande parte da água de suas células por uma substância chamada trealose, um tipo de açúcar. Segundo os cientistas, a trealose forma um “vidro biológico” que envolve e protege as membranas e proteínas internas, impedindo que elas se desfaçam com a perda da água. Nessa condição, o animal se encolhe, recolhe as pernas e assume a forma seca denominada tun, uma estratégia que preserva sua estrutura celular contra danos irreversíveis.
O que sabemos?
- Tardígrados entram em criptobiose para suportar ambientes extremos.
- Experimento a bordo da missão Foton-M3 (ESA) em 2007 expôs tardígrados a vácuo e radiação solar no espaço.
- Sobrevivência foi muito maior para os expostos apenas ao vácuo do que para os expostos a radiação UV de forma direta.
- O mecanismo químico envolve a substituição da água intracelular por trealose, formando um vidro biológico que protege as células.
Fontes
- Olhar Digital fonte especializada




